No mercado de compensação e restauração florestal, a sobrevivência das mudas pós-plantio é o verdadeiro termômetro de sucesso de um projeto ambiental. Enquanto a literatura técnica do setor e as normas da ABNT consideram um índice de 75% de sobrevivência como um resultado bom e aceitável para os projetos ambientais, uma iniciativa no Sul de Minas Gerais quebra os padrões do mercado ao registrar uma taxa quase perfeita, com 99,7% das árvores vivas e saudáveis.
O feito pertence à Fazenda Copaíba, localizada em Pouso Alegre (MG), que transformou a recuperação da Mata Atlântica em uma operação de alta performance técnica. O modelo de negócio, que viabilizou o plantio de mais de 22 mil árvores desde 2024, baseia-se no método do Pé de Árvore Saudável (PAS), desenvolvido pelo proprietário da fazenda e engenheiro industrial, Fábio Garcia Filho.
A diferença entre o mercado tradicional e a eficiência da Fazenda Copaíba fica evidente nos contratos institucionais. Contratos firmados com grandes clientes e órgãos públicos, como a Prefeitura de Pouso Alegre e o Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG), exigem a sobrevivência de 75% das mudas. Ao entregar 99,7%, a fazenda reduz a taxa de mortandade para apenas 0,3%, e elimina quase por completo o desperdício de insumos e de tempo.
“Fizemos questão de auditar e contar a área, árvore por árvore, indo além das tradicionais vistorias por amostragem feitas por órgãos avaliadores”, explica Fábio Garcia Filho. “O mercado tolera perdas de até 25% ou 30% por causa de intempéries como ventanias, geadas ou ataques de formigas. Nós passamos pelo outono e pelo inverno com menos de 5% de perdas gerais na nossa reserva técnica. Isso prova que estamos plantando do jeito certo, unindo eficácia e eficiência biológica”, disse Fábio.
A consistência desses resultados não é por acaso. O PAS funciona como uma engrenagem que envolve rigor científico, tecnologia de ponta e engajamento social. Para garantir o monitoramento individualizado de cada árvore, a fazenda utiliza um sistema de rastreabilidade multiplataforma desenvolvido em parceria com a startup Arboriza da Universidade de Itajubá (MG). Cada muda recebe uma identificação física exclusiva, um “brinco” numerado, e passa a ser monitorada por fotos de solo, drones e georreferenciamento por satélite.
Além do braço tecnológico, Fábio destaca que o diferencial está nas pessoas. O modelo de negócio da fazenda funciona como uma engrenagem social: a receita gerada pelos contratos do atacado, empresas e termos de ajustamento de conduta, cobre os custos fixos da propriedade, permitindo que cerca de 80% da receita obtida no varejo seja revertida em bonificações para a equipe de campo e melhorias na comunidade local.
“O negócio de plantar árvores só é sustentável quando é bom para todo mundo”, pontua Garcia Filho, que traz para o campo uma bagagem de 30 anos de atuação na indústria. “Nossos parceiros e colaboradores trabalham sabendo que o sucesso de cada muda reflete diretamente na renda deles. É esse cuidado obsessivo, somado à tecnologia, que nos permite entregar um ativo, auditável e com risco zero de greenwashing para os nossos clientes”, afirma.









