Federal Reserve mantém juros entre 3,50% e 3,75% e adota postura cautelosa

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve anunciou, nesta quarta-feira (17), a manutenção da taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. A decisão confirmou as projeções unânimes das praças financeiras globais: pela manhã, a ferramenta FedWatch do CME Group já apontava uma probabilidade de 99,6% de estabilidade para a reunião monetária de junho.

No comunicado oficial, o banco central norte-americano avaliou que a maior economia do mundo mantém uma trajetória de expansão em ritmo sólido, demonstrando resiliência mesmo diante do quadro de volatilidade e incertezas geopolíticas geradas pelo conflito armado no Oriente Médio. O colegiado justificou a solidez da atividade interna ancorado em três pilares macroeconômicos: a robustez dos investimentos privados, os ganhos consistentes de produtividade industrial e o forte desempenho do mercado de trabalho, caracterizado por taxas estáveis de desemprego e uma geração de vagas alinhada ao crescimento da força de trabalho.

Apesar do tom positivo sobre o nível de atividade econômica, a autoridade monetária sinalizou que o combate à carestia continua no centro das atenções do comitê de política monetária. O FOMC ressaltou que a inflação permanece rodando acima da meta de longo prazo de 2% ao ano. A dinâmica de preços ainda sofre pressões diretas decorrentes de gargalos na cadeia de suprimentos global. A alta nos preços dos combustíveis e insumos energéticos foi apontada como um dos principais fatores específicos de resistência para a convergência dos índices ao consumidor.

“O Comitê continua altamente atento aos riscos inflacionários e reafirma seu compromisso inabalável de perseguir a estabilidade de preços no médio prazo”, destacou a nota oficial do Fed.

A manutenção das taxas ocorreu de forma consensual entre todos os membros votantes do colegiado. O grande foco dos agentes econômicos e gestores de portfólio desloca-se agora para o início da tarde. Às 15h30 (horário de Brasília), o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, fará seu pronunciamento oficial de estreia e concederá a tradicional entrevista coletiva à imprensa.

O mercado financeiro monitorará minuciosamente cada linha do discurso de Warsh em busca de pistas (forward guidance) sobre o balanço de riscos da nova gestão. Os analistas tentarão decifrar o timing técnico e o gatilho econômico para o início de um eventual ciclo de afrouxamento monetário (cortes de juros), bem como a leitura fina do novo chefe da autoridade sobre os impactos de longo prazo da inflação de custos na dinâmica de crescimento do país.

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