Guerra no Irã pode elevar fertilizantes em até 30% e pressionar agro brasileiro

Os fertilizantes mais caros no Brasil voltaram ao centro das preocupações do agronegócio após a escalada das tensões envolvendo o Irã no Oriente Médio. Relatórios de consultorias internacionais apontam que os preços dos insumos podem subir até 30% em 2026 devido às restrições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de fertilizantes.

O Brasil aparece entre os países mais vulneráveis ao aumento dos custos, já que depende fortemente da importação de fertilizantes nitrogenados. Especialistas alertam que o cenário pode pressionar margens do produtor rural e elevar custos da próxima safra.

Estreito de Ormuz virou ponto crítico

O avanço dos fertilizantes mais caros no Brasil está ligado às dificuldades no transporte marítimo no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz concentra parte relevante do comércio global de ureia, amônia e gás natural.

Segundo análises da Oxford Economics e da StoneX, o congestionamento logístico pode continuar mesmo após eventual redução das tensões militares. Além disso, cargas ligadas ao setor energético podem ganhar prioridade nos portos, reduzindo espaço para fertilizantes.

Especialistas afirmam que atrasos nas entregas tendem a pressionar ainda mais os preços internacionais dos insumos agrícolas.

Brasil depende das importações

O Brasil importa grande parte dos fertilizantes utilizados no campo. No caso da ureia, a dependência externa é próxima de 100% do consumo nacional.

Países do Oriente Médio possuem participação importante no fornecimento global do insumo. Em 2025, Irã e Omã responderam por cerca de 18% das importações brasileiras de ureia.

Especialistas alertam que a combinação entre oferta reduzida e aumento da demanda internacional pode elevar ainda mais os custos para produtores brasileiros.

Custos agrícolas podem disparar

A alta dos fertilizantes mais caros no Brasil preocupa principalmente produtores de milho, trigo, arroz e cana-de-açúcar, culturas mais dependentes de nitrogenados.

Além disso, o aumento do diesel provocado pela tensão geopolítica também amplia os custos de transporte e operação no campo. Relatórios do Rabobank já apontam pressão crescente sobre margens do agronegócio brasileiro.

Segundo especialistas, o impacto tende a ser maior em regiões altamente dependentes do transporte rodoviário, como o Centro-Oeste brasileiro.

Relação de troca preocupa produtores

Outro fator que preocupa o mercado é a deterioração da relação de troca entre grãos e fertilizantes. Atualmente, os preços agrícolas seguem pressionados enquanto os custos dos insumos avançam.

Segundo economistas da Oxford Economics, a relação entre milho e ureia chegou aos piores níveis da série histórica. Isso reduz poder de compra dos produtores e pode afetar decisões de plantio.

Analistas avaliam que muitos agricultores podem reduzir aplicação de fertilizantes caso os preços permaneçam elevados.

Mercado global disputa estoques

A disputa internacional por estoques de fertilizantes aumentou nas últimas semanas. Países como Índia, Estados Unidos e membros da União Europeia ampliaram movimentações para garantir abastecimento interno.

A China restringiu parte das exportações de fertilizantes para proteger o mercado doméstico, ampliando pressão global sobre a oferta.

Especialistas afirmam que o Brasil pode enfrentar maior concorrência internacional para comprar fertilizantes ao longo de 2026.

Agro brasileiro monitora cenário

Apesar das pressões, parte do mercado avalia que o Brasil ainda possui alguma margem de manobra devido ao calendário agrícola. Muitas compras da segunda safra já foram concluídas, o que reduz impactos imediatos.

O cenário pode mudar rapidamente caso o conflito no Oriente Médio se prolongue ou novas restrições logísticas sejam implementadas.

Segundo analistas, produtores rurais devem acompanhar de perto preços internacionais, fretes marítimos e disponibilidade global dos insumos.

Alimentos também podem ficar mais caros

O aumento dos fertilizantes mais caros no Brasil pode chegar ao consumidor nos próximos meses. Custos maiores no campo tendem a pressionar preços de alimentos, proteína animal e combustíveis.

Especialistas alertam que a inflação agrícola pode ganhar força caso o cenário geopolítico permaneça instável.

A guerra no Irã e as restrições logísticas no Oriente Médio ampliam os riscos para o abastecimento global de fertilizantes e aumentam a pressão sobre o agronegócio brasileiro em 2026.

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