Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios captaram R$ 41,7 bilhões no mercado de capitais entre janeiro e maio de 2026. O volume representa um crescimento de 36,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior e reforça o avanço do crédito privado no agronegócio.
A expansão ocorre em um momento de maior pressão sobre as fontes tradicionais de financiamento. O Plano Safra 2026/2027 destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, aumento nominal de 1,72% em relação ao ciclo anterior. Desse total, R$ 384,9 bilhões foram reservados para custeio e comercialização.
Nesse ambiente, empresas do setor passaram a buscar alternativas capazes de acompanhar o ritmo das operações, com prazos, garantias e estruturas adaptados às características de cada negócio.
Recebíveis são utilizados como garantia
Os FIDCs permitem que empresas utilizem recebíveis, como duplicatas de vendas a prazo e contratos de financiamento, como lastro para captar recursos. A estrutura possibilita antecipar receitas e ampliar a liquidez sem depender exclusivamente de empréstimos bancários convencionais.
“A retração do crédito bancário fez com que muitas empresas agropecuárias, especialmente no Centro-Oeste, passassem a explorar alternativas de crédito mais ágeis e customizadas”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.
Segundo o executivo, o modelo permite que as companhias utilizem seus próprios recebíveis para estruturar o financiamento, com maior controle sobre custos, garantias e fluxo de recursos.
O capital pode ser direcionado ao financiamento de estoques, aquisição de insumos, capital de giro e projetos de expansão. Para os investidores, os fundos oferecem exposição a operações lastreadas em recebíveis originados pelas próprias empresas do agronegócio.
Centro-Oeste amplia mercado de crédito estruturado
A procura por crédito privado tem sido mais intensa no Centro-Oeste, região que concentra parte relevante da produção brasileira de grãos e da expansão das empresas ligadas ao setor.
Distantes dos principais centros financeiros do país, companhias instaladas na região vêm recorrendo à digitalização para estruturar e administrar operações de crédito.
“A transformação digital eliminou as barreiras geográficas, permitindo que a estruturação e a gestão do crédito fossem feitas de forma integrada e eficiente, sem depender da presença física no centro financeiro tradicional”, explica Da Matta.
A tecnologia também passou a apoiar a análise de risco, o acompanhamento dos recebíveis e a gestão das carteiras. Esse movimento facilita a criação de estruturas financeiras ajustadas ao ciclo de produção e comercialização do agro.
Audax projeta operar R$ 3,1 bilhões em crédito
Fundada em 2015, a Audax Capital atua na estruturação e gestão de operações de crédito, com presença concentrada no Centro-Oeste. A empresa afirma ter originado mais de R$ 7 bilhões em crédito ao longo de dez anos e registrado crescimento de 115% em 2025.
Para 2026, a companhia projeta operar R$ 3,1 bilhões em crédito, avanço estimado de 105%. Também prevê investir mais de R$ 5 milhões em tecnologia, depois de destinar R$ 2,5 milhões à criação de um laboratório interno de inteligência artificial.
Segundo Da Matta, a adoção de um FIDC próprio pode transformar a gestão financeira das empresas do setor.
“Ao estruturar um FIDC próprio, a empresa deixou de ver o crédito apenas como uma necessidade operacional e passou a tratá-lo como uma alavanca de resultados financeiros”, afirma.
