Enquanto o consórcio já faz parte da rotina financeira de milhões de brasileiros há décadas, nos Estados Unidos o modelo praticamente não existe. Foi justamente essa lacuna que três empreendedores brasileiros decidiram atacar com a Savings.Club, fintech criada para adaptar o sistema ao mercado americano.
Fundada em 2025 por JP Galvão, Adriano Marques e Fernando Lamounier, a startup já acumula mais de R$ 25 milhões em contratos e agora prepara uma expansão mais agressiva nos EUA.
A empresa começou focada em brasileiros e latinos que vivem no país e já entendem como funciona o consórcio. Segundo os fundadores, a estratégia ajudou a acelerar a validação inicial do produto.
Fintech quer levar consórcio além do setor automotivo
Hoje, a Savings.Club atua no segmento automotivo, com grupos de crédito entre US$ 20 mil e US$ 40 mil. A próxima etapa envolve a entrada no mercado de imóveis comerciais, com cartas de crédito a partir de US$ 200 mil.
A fintech acredita que o novo segmento pode ampliar significativamente o volume da operação. A expectativa da empresa é atingir cerca de US$ 1 bilhão em contratos em aproximadamente um ano.
Além do aumento de ticket, a expansão imobiliária permitiria atuação em todo o território americano, reduzindo as limitações estaduais enfrentadas atualmente no produto automotivo.
Como a startup adaptou o consórcio ao mercado americano
Levar o modelo brasileiro para os EUA exigiu mudanças importantes. Nos Estados Unidos, mecanismos tradicionais do consórcio, como sorteios e lances, enfrentam restrições regulatórias e diferenças legais entre estados.
Para contornar o problema, a fintech desenvolveu um sistema próprio baseado em análise de risco e comportamento financeiro dos participantes.
A tecnologia utiliza inteligência artificial para calcular um ranking interno chamado Savings Score, que considera histórico de pagamentos, dados financeiros e perfil de risco dos clientes.
Segundo Adriano Marques, os usuários conseguem acompanhar a própria posição no grupo e melhorar sua classificação antecipando pagamentos.
Startup aposta em brasileiros e latinos nos EUA
A escolha do público inicial foi estratégica. Em vez de tentar explicar o conceito de consórcio ao consumidor americano médio, a fintech decidiu começar por comunidades já familiarizadas com o modelo.
“Se você diz a palavra consórcio para o brasileiro, ele entende na hora. Se você fala com um mexicano e explica que é como uma tanda, ele entende imediatamente”, afirmou JP Galvão.
Atualmente, a Savings.Club opera em estados como Texas, Flórida, Massachusetts e Connecticut, regiões com forte presença de brasileiros e latinos.
Fintech vê oportunidade em carros autônomos e robôs
Além de carros e imóveis, a empresa aposta em um segmento mais futurista: o financiamento de robôs autônomos.
Os fundadores acreditam que, no futuro, pessoas físicas poderão adquirir robôs e veículos autônomos como forma de gerar renda recorrente.
Segundo Adriano Marques, a ideia é criar desde já uma estrutura financeira preparada para esse mercado.
Fernando Lamounier compara a estratégia ao mercado de infraestrutura durante a corrida do ouro.
“Na Corrida do Ouro, quem fica rico é quem vende a pá”, afirmou.








