Quase um ano após anunciar um dos maiores compromissos ambientais de sua história, a Vivo deu início à execução do projeto Floresta Futuro Vivo, iniciativa que prevê a restauração, proteção e reconexão de mais de 800 hectares da Amazônia ao longo dos próximos 30 anos. O marco foi celebrado com o plantio simbólico de mudas de espécies nativas, como castanheira, sumaúma e andiroba, em Paragominas (PA), município localizado no chamado arco do desmatamento, uma das regiões mais pressionadas pelo avanço da fronteira agropecuária.
O projeto será desenvolvido em parceria com a empresa de restauração ecológica re.green e prevê o plantio e a conservação de aproximadamente 900 mil árvores de 30 espécies nativas, contribuindo para recuperar áreas degradadas, fortalecer corredores ecológicos e proteger espécies ameaçadas da Amazônia Oriental. A iniciativa também busca beneficiar comunidades locais e povos indígenas que vivem no entorno da área restaurada.
Um ano de estudos antes da primeira muda
Embora o anúncio da Floresta Futuro Vivo tenha sido feito em 2025, o início do plantio ocorreu somente agora porque o projeto passou por uma longa etapa de planejamento. Durante esse período, equipes técnicas realizaram o mapeamento da paisagem, estudos ambientais, levantamentos socioeconômicos e a definição das espécies que serão utilizadas na restauração.
Também foram iniciadas consultas com comunidades tradicionais e lideranças indígenas da região, consideradas fundamentais para garantir que o projeto seja desenvolvido de forma participativa e respeite as características locais. Segundo a Vivo, o plantio em larga escala começará em janeiro de 2027, aproveitando o período de chuvas na região amazônica.
Projeto aposta na recuperação da biodiversidade
A área escolhida fica próxima ao mosaico ecológico Gurupi-Turiaçu, considerado um dos últimos grandes remanescentes contínuos da Amazônia Oriental. A restauração deverá favorecer a recuperação de habitats e beneficiar mais de 25 espécies ameaçadas, entre elas o macaco-caiarara, primata que sofreu forte redução populacional devido à fragmentação da floresta.
Além da biodiversidade, a iniciativa pretende contribuir para a recuperação de nascentes, melhorar a recarga hídrica da bacia do rio Gurupi e ampliar a conectividade entre fragmentos florestais, permitindo o deslocamento da fauna e o fortalecimento dos processos ecológicos naturais.
Capital privado entra na restauração florestal
Um dos diferenciais do projeto é o fato de a Vivo não possuir obrigação legal de recuperar áreas degradadas. A iniciativa representa um investimento voluntário da companhia em conservação ambiental, reforçando uma tendência de maior participação do setor privado em projetos de restauração ecológica.
Segundo a empresa, o objetivo é gerar impacto positivo para a natureza e contribuir para as metas brasileiras de recuperação de áreas degradadas. O projeto também deverá gerar créditos de carbono futuramente, seguindo padrões internacionais de certificação. Em vez de utilizá-los para compensar suas próprias emissões, a Vivo pretende disponibilizá-los a clientes interessados em reduzir sua pegada de carbono.
Comunidades locais participam do projeto
Outro aspecto central da iniciativa é o envolvimento das comunidades que vivem próximas à área de restauração. O projeto prevê diálogo permanente com povos indígenas, agricultores e moradores da região para definir ações de desenvolvimento sustentável e oportunidades de geração de renda ligadas à conservação da floresta.
A articulação com as lideranças locais foi conduzida por representantes indígenas e especialistas em desenvolvimento socioambiental, que atuam como ponte entre as comunidades e as equipes técnicas responsáveis pelo projeto. A expectativa é que futuras atividades envolvam coleta de sementes, produção de mudas e outras cadeias da bioeconomia amazônica.
Compromisso ambiental de longo prazo
A Floresta Futuro Vivo integra a estratégia ambiental da operadora, que já reduziu significativamente suas emissões próprias de gases de efeito estufa e estabeleceu a meta de alcançar neutralidade de carbono (net zero) até 2035. O projeto amplia esse compromisso ao investir diretamente na recuperação da biodiversidade e na restauração de ecossistemas amazônicos.
Embora os resultados ambientais levem décadas para serem plenamente observados, a expectativa é que a iniciativa se torne uma referência para outras empresas interessadas em investir na recuperação de áreas degradadas. Em uma região historicamente marcada pelo desmatamento, a proposta demonstra como o capital privado pode contribuir para restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades locais e impulsionar a conservação da Amazônia a longo prazo.
