A Fox fechou acordo para comprar a Roku em uma transação avaliada em cerca de US$ 22 bilhões, incluindo dívida. O movimento cria um grupo com forte presença em conteúdo, distribuição e publicidade em streaming, em um momento de migração acelerada da audiência da TV tradicional para plataformas digitais.
A operação une canais de esportes, notícias e entretenimento da Fox à base da Roku, plataforma usada por mais de 100 milhões de assinantes. O acordo também aproxima a Fox do mercado de TV conectada, segmento em que a publicidade digital vem ganhando espaço nos orçamentos das marcas.
Com a aquisição, a empresa passa a combinar ativos como a Tubi, plataforma gratuita de streaming financiada por anúncios, com o ecossistema da Roku, que inclui dispositivos, TVs, software e canal próprio de streaming.
Compra fortalece disputa por publicidade no streaming
A aquisição ocorre em um mercado cada vez mais competitivo. Grandes empresas de mídia e tecnologia disputam a atenção dos usuários e a verba publicitária que antes era concentrada na TV aberta e na TV por assinatura.
A Roku tem posição relevante nessa mudança porque seus dispositivos e sistemas operacionais ajudaram a transformar televisores comuns em pontos de acesso para aplicativos como Netflix, HBO Max e outros serviços de streaming.
Apesar de vender dispositivos e TVs, a maior parte da receita da companhia vem de sua plataforma, especialmente publicidade digital e distribuição de serviços de streaming. No último ano, esse segmento respondeu por US$ 4,1 bilhões, ou 87,5% da receita total da empresa.
Para a Fox, essa estrutura pode ampliar a capacidade de segmentar campanhas e oferecer inventário publicitário em um ambiente no qual os hábitos de consumo estão cada vez mais fragmentados.
Tubi ganha novo peso dentro da estratégia
A Fox comprou a Tubi em 2020 para fortalecer sua presença no streaming gratuito com anúncios. Desde então, o serviço se tornou uma frente importante de crescimento para a companhia.
Agora, ao unir Tubi e Roku, a Fox reforça sua posição no chamado FAST, sigla usada para serviços gratuitos de streaming sustentados por publicidade. Esse modelo tem atraído usuários que buscam alternativas sem assinatura e anunciantes interessados em alcançar públicos em ambientes digitais de TV.
A combinação também ajuda a Fox a reduzir a dependência dos canais tradicionais de distribuição. Em vez de atuar apenas como produtora e programadora de conteúdo, a empresa ganha mais controle sobre a plataforma pela qual parte da audiência acessa esse conteúdo.
Termos do acordo
Pelos termos anunciados, a Fox pagará US$ 96 em dinheiro e 0,9693 ação Classe A da Fox por cada ação da Roku. A parte em ações equivale a US$ 64 por papel da Roku, com base na média ponderada das ações da Fox nos dez dias encerrados em 10 de junho.
Após a divulgação das negociações, as ações da Roku chegaram a subir 20% na sexta-feira anterior ao anúncio. Na segunda-feira, os papéis avançavam cerca de 1% no pré-mercado, enquanto as ações da Fox recuavam 13%.
A conclusão da transação está prevista para o primeiro semestre de 2027. A Fox recebeu US$ 12 bilhões em financiamento-ponte do Morgan Stanley Senior Funding para viabilizar a compra.
