Engenheiro do Google é acusado de usar dados internos para lucrar com apostas

Um engenheiro do Google foi preso nos Estados Unidos sob acusação de usar informações internas da empresa para fazer apostas na plataforma de previsões Polymarket. Segundo autoridades americanas, Michele Spagnuolo teria acessado dados confidenciais ligados às buscas mais populares do Google e usado essas informações para antecipar resultados em mercados de apostas.

O caso foi divulgado inicialmente pela BBC News. De acordo com os documentos citados pelas autoridades, o funcionário teria acumulado cerca de US$ 1,2 milhão em ganhos. Embora seja cidadão italiano e more na Suíça, Spagnuolo foi detido na quarta-feira e apresentado à Justiça federal em Nova York.

O engenheiro trabalhava no Google havia mais de 12 anos e atuava na área de segurança da informação, segundo perfis profissionais online mencionados na imprensa americana. O Google informou que colabora com a investigação e colocou o funcionário em licença.

Apostas teriam usado dados antes da divulgação pública

A acusação central é que Spagnuolo teria feito apostas com base em informações ainda não disponíveis ao público. Para as autoridades, isso configuraria uso indevido de dados internos em uma plataforma financeira baseada em previsões.

O caso chama atenção porque a Polymarket permite que usuários apostem em resultados de eventos reais, incluindo temas políticos, econômicos, culturais e de comportamento. A plataforma usa criptomoedas, e as movimentações em blockchain podem deixar rastros públicos.

Segundo a investigação, o engenheiro usava a conta “AlphaRaccoon” e movimentava valores por diferentes carteiras digitais. O FBI teria conseguido ligar as contas a Spagnuolo ao identificar uma carteira registrada com documento italiano.

Após a prisão, ele foi liberado mediante pagamento de fiança de US$ 2,25 milhões, segundo a BBC News.

Mercado envolvia buscas populares do Google

Entre outubro e dezembro do ano passado, Spagnuolo teria movimentado cerca de US$ 2,7 milhões em apostas ligadas ao Google.

Uma das operações investigadas envolvia previsões sobre quem terminaria 2025 como a pessoa mais pesquisada na plataforma. Segundo os documentos judiciais, ele teria apostado contra nomes populares e escolhido o cantor D4vd quando as chances atribuídas ao artista eram consideradas praticamente nulas na Polymarket.

As autoridades afirmam que, no momento da aposta, o engenheiro já teria conhecimento de que D4vd havia se tornado o nome mais buscado nas plataformas do Google.

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