Fundo Monetário vê crescimento de 2,5% para o PIB brasileiro

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta segunda-feira (1º) uma nota oficial na qual elogia a “notável resiliência” da economia brasileira frente aos múltiplos choques recentes. A manifestação ocorreu após o encerramento da missão anual da entidade ao país, concluída na última sexta-feira (29). De acordo com o relatório, o Brasil tem conseguido mitigar pressões externas e internas, posicionando-se de forma favorável em um ambiente de desaceleração e volatilidade nos mercados globais.

Um dos pontos centrais destacados pelo FMI é o fato de o Brasil estar relativamente protegido dos impactos decorrentes da guerra no Oriente Médio, que impulsionou os preços internacionais do petróleo. A instituição justifica essa blindagem parcial com base em duas características estruturais da economia doméstica: a condição do país como exportador líquido de petróleo bruto e a elevada participação de fontes renováveis na matriz de geração de energia elétrica nacional.

Segundo o chefe da missão do FMI, Daniel Leigh, os indicadores econômicos consolidados apontam para uma recuperação consistente no início de 2026. A expectativa da entidade é que o país passe por um fortalecimento gradual de sua atividade econômica, caminhando rumo a uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 2,5% no médio prazo. Contudo, o relatório adverte que os riscos para essa projeção estão inclinados para o lado negativo, atrelados ao aperto das condições financeiras globais e à deterioração das tensões geopolíticas.

Apesar dos alertas, a instituição reconhece que o arcabouço institucional brasileiro oferece pilares sólidos de sustentação contra choques externos. O FMI citou positivamente o sistema financeiro robusto, o nível adequado de reservas internacionais e o regime de câmbio flexível como garantias de estabilidade. No campo monetário, a avaliação considerou adequados os cortes de juros realizados pelo Banco Central nos meses de março e abril, mas recomendou cautela e flexibilidade nas próximas decisões devido ao surgimento de novas pressões inflacionárias ligadas aos custos de energia.

Pelo lado fiscal, o fundo defendeu a manutenção e a ampliação dos esforços governamentais para garantir a sustentabilidade da dívida pública e reduzir o custo dos empréstimos. A entidade sugeriu que o governo preserve as receitas extraordinárias provenientes dos royalties e participações especiais do petróleo, revertendo esses saldos em espaço para investimentos prioritários. O FMI concluiu que o avanço das reformas estruturais e o foco na agenda de transição ambiental serão fundamentais para impulsionar um crescimento mais forte e inclusivo.

O reconhecimento do FMI repercutiu no Ministério da Fazenda e foi comentado pelo ministro Dario Durigan durante a reunião de encerramento da missão. Durigan reafirmou o compromisso da equipe econômica com o rigor fiscal e com o controle da inflação, mas estabeleceu uma meta mais ambiciosa que a do fundo, projetando um crescimento sustentável de pelo menos 4% ao ano. Segundo o ministro, esse patamar será alcançado por meio de ganhos significativos de produtividade e de discussões sérias com a sociedade para dar maior eficiência ao Estado.

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