Gauss Health usa IA para criar suplementos personalizados com exame de sangue

Aurélio Henrique (CTO), Thiago Lima (CEO) e Thiago Ferraz (CSO) da Gauss Health | Crédito: Divulgação

O criador da LinkAPI, Thiago Lima, está de volta ao ecossistema de startups com uma proposta no mercado de saúde e longevidade. A nova empresa, a Gauss Health, usa inteligência artificial para analisar exames de sangue e recomendar protocolos de suplementação personalizados, com foco em longevidade, emagrecimento e melhora de performance física ou cognitiva.

A lógica da plataforma inverte o modelo tradicional de suplementação. Em vez de oferecer fórmulas padronizadas, a Gauss parte da análise dos biomarcadores de cada pessoa para só então definir o produto. “A gente inverte isso: primeiro entende o corpo da pessoa, depois cria o produto”, explica o fundador.

Como a plataforma funciona

O usuário importa exames de sangue realizados nos últimos seis meses para a plataforma. A inteligência artificial cruza os biomarcadores com dados de estilo de vida, hábitos e objetivos de saúde. A partir disso, o sistema sugere um protocolo de suplementação com dosagens específicas para cada ativo.

No entanto, toda recomendação gerada pela IA passa pela revisão de uma equipe médica antes de seguir para produção. Segundo Thiago Lima, a validação clínica é obrigatória. A tecnologia otimiza o fluxo de análise, mas a decisão final permanece com profissionais de saúde.

Além disso, a plataforma acompanha a evolução do usuário ao longo do tempo. Novos exames e dados coletados por smartwatches alimentam o sistema, que ajusta as recomendações conforme os indicadores de saúde evoluem. A manipulação dos suplementos fica a cargo de farmácias parceiras, que produzem as fórmulas sob a marca Gauss e enviam diretamente ao cliente.

Validação com atletas e lista de espera

Antes do lançamento público, a tecnologia passou por uma fase de testes com pacientes atendidos pelo médico Thiago Ferraz, cofundador e diretor médico da startup. Entre os primeiros usuários estão atletas e figuras do esporte, incluindo o ex-jogador da seleção brasileira Zé Roberto e o jogador do Corinthians André Carrillo.

Agora a startup libera acessos de forma gradual. O primeiro lote deve contemplar cerca de 500 usuários de uma lista de espera que já ultrapassa 2 mil pessoas.

Modelo de negócio e planos de expansão

O serviço funciona em formato de assinatura. A análise inicial pela IA é gratuita, mas o usuário paga caso queira contratar o protocolo personalizado e receber os suplementos. A meta do primeiro mês é atingir 100 clientes pagantes, número que a startup considera suficiente para validar o modelo de recorrência.

Até agora, a Gauss foi financiada com cerca de R$ 250 mil de capital próprio dos sócios. Uma rodada com investidores externos está planejada para o segundo semestre. O modelo tem referências consolidadas no mercado norte-americano: empresas como a Function Health, que captou US$ 350 milhões, e a Superpower Health, que levantou US$ 34 milhões, atuam em segmento semelhante.

Thiago Lima compara a ambição da Gauss à proposta do Nubank: digitalizar e modernizar um setor ainda pouco tecnológico. No caso, o mercado de farmácia de manipulação no Brasil.

Trajetória do fundador

Thiago Lima começou a programar aos 12 anos e fundou a primeira empresa aos 17. Após uma passagem como atleta profissional, voltou ao setor de tecnologia e se tornou sócio e diretor na consultoria FCamara. Em 2017, fundou a LinkAPI, plataforma de integração de APIs que operou em mais de 15 países e teve clientes como Samsung e iFood. A empresa foi adquirida pela Semantix em 2021, e Thiago seguiu como CTO até depois do IPO da companhia, em 2022.

A ideia da Gauss nasceu de sua própria rotina como triatleta e participante de provas de Ironman, quando começou a cruzar dados de performance, nutrição e exames laboratoriais para melhorar seus resultados esportivos.

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