A GeoApis, agtech de Piracicaba (SP), quer chegar a 1,5 milhão de hectares monitorados ainda neste ano. A startup desenvolveu uma plataforma de georreferenciamento de apiários para reduzir a morte de abelhas durante aplicações de agrotóxicos em lavouras.
Hoje, a empresa monitora mais de 500 mil hectares no Brasil. A tecnologia conecta produtores rurais, usinas e apicultores para avisar quando uma pulverização será feita perto de colmeias cadastradas.
Criada em 2019 por Elaine Basso, a GeoApis atende clientes em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. A empresa faturou mais de R$ 2 milhões em 2025 e projeta superar R$ 3 milhões neste ano.
Aplicativo avisa apicultor antes da pulverização
O funcionamento da plataforma é baseado em alertas georreferenciados. Quando um produtor rural registra uma aplicação química no aplicativo, apiários em um raio de até seis quilômetros recebem uma notificação.
O aviso permite que o apicultor proteja ou mova as colmeias antes da pulverização. A ferramenta mostra qual apiário pode ser afetado e a distância entre a área de aplicação e as abelhas. O aplicativo é gratuito para apicultores. Eles cadastram a localização do apiário, a quantidade de abelhas e outras informações da criação.
“Quando o alerta é emitido, o apicultor recebe uma notificação. Nela aparecem informações como qual apiário pode ser afetado e a distância entre a aplicação e o apiário”, explica Elaine Basso.
Produtor paga para usar a tecnologia
Para produtores rurais e usinas, o acesso à plataforma é pago. Segundo a fundadora, o ticket médio é de R$ 85 mil por ano.
O pacote inclui uso da tecnologia de georreferenciamento, inventário de apiários e contato direto com apicultores da região. Os principais clientes da GeoApis são produtores rurais e usinas de cana-de-açúcar.
As usinas aparecem como público relevante porque costumam ter grandes áreas de floresta dentro das propriedades e muitos apiários no entorno.
Na visão de Elaine, proteger abelhas exige olhar além dos limites de cada fazenda. As abelhas podem voar até 1,5 quilômetro em um dia, o que aumenta o risco de impacto mesmo quando a colmeia está fora da propriedade pulverizada.
“Não adianta olhar só para dentro da porteira.”
Plataforma também reduz risco jurídico
O georreferenciamento dos apiários pode ajudar produtores e usinas a evitar disputas judiciais. Quando uma aplicação indevida de agrotóxico causa a morte de abelhas e há provas, o apicultor pode acionar o responsável pela pulverização.
“E, normalmente, se houver provas, é causa ganha”, afirma Elaine.
A plataforma cria registros sobre localização, alertas e comunicação entre as partes. Esse histórico ajuda a organizar a relação entre agricultura e apicultura, dois setores que dividem o mesmo território.
Startup cresceu sem investimento externo
A GeoApis afirma que nunca recebeu investimento externo. A tecnologia é 100% da startup, que conta com equipe de agronomia, biologia e tecnologia da informação.
Elaine diz que prefere ganhar mais tração antes de buscar capital.
“O mercado ainda não entende completamente a relação entre abelha e agricultura. Nessa parte, sou conservadora. Tenho receio de pegar investimento de um fundo sem garantia de conseguir devolver esse dinheiro no curto prazo e acabar comprometendo a empresa”, afirma.
Mesmo sem aporte, a startup já planeja expansão internacional. O objetivo é levar a plataforma para países da América Latina, como Chile, Colômbia e Peru.









