O governo federal oficializou, nesta segunda-feira (13), a demissão de Gilberto Waller da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para o seu lugar, foi nomeada a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, que anteriormente ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. A troca ocorre em um momento estratégico para a autarquia, que busca acelerar a análise de benefícios e modernizar sua estrutura operacional após períodos de instabilidade administrativa.
A gestão de Waller, iniciada em abril do ano passado, teve como principal missão estabilizar o órgão após a eclosão de um escândalo de fraudes bilionárias que resultou na demissão e prisão de seu antecessor, Alessandro Stefanutto. As investigações da Polícia Federal apontaram desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados. Embora Waller tenha sido reconhecido por “colocar a casa em ordem”, a avaliação do Palácio do Planalto é de que era necessária uma liderança com maior conhecimento técnico do setor para enfrentar os desafios atuais.
A escolha de Ana Cristina Viana Silveira atende a uma demanda antiga do corpo funcional da autarquia, que pleiteava o comando de um servidor de carreira com visão sistêmica do processo previdenciário. O Ministério da Previdência Social destacou que a nova presidente domina o fluxo que vai do atendimento nas agências até a fase recursal. Além disso, a nomeação reforça a presença feminina em postos de alto escalão do governo federal, sendo apresentada pelo ministro Wolney Queiroz como um marco para a melhoria da qualidade do atendimento aos segurados.
O principal motivador para a substituição, conforme interlocutores do governo, é a persistência das filas de espera, que têm gerado desgaste político para a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o cenário eleitoral no horizonte, o Executivo identificou a necessidade de resultados mais céleres na concessão de aposentadorias e auxílios. A nova gestão recebe a missão direta de reduzir drasticamente o tempo de resposta do instituto, transformando a eficiência operacional em uma vitrine positiva para a administração federal.
O ministro Wolney Queiroz reiterou que o INSS entra agora em uma fase de “maior atenção”, alinhada à reforma ministerial promovida recentemente. A expectativa é que o perfil técnico e a experiência interna de Ana Cristina facilitem o diálogo com os servidores e a implementação de novas metas de produtividade. Enquanto o órgão tenta superar as marcas deixadas pelos escândalos de corrupção do passado, o foco imediato volta-se para a digitalização e a humanização do atendimento, visando assegurar os direitos dos milhões de brasileiros dependentes da Previdência Social.
