O Goldman Sachs revisou suas projeções para a política monetária dos Estados Unidos e agora espera que o Federal Reserve (Fed) mantenha as taxas de juros inalteradas ao longo de todo o ano de 2026. Em nota distribuída na última sexta-feira, a instituição financeira apontou que os cortes na taxa básica só devem começar em 2027, justificando a mudança pela resiliência da atividade econômica e pelo crescimento robusto do mercado de trabalho norte-americano.
Com a nova avaliação, o banco de investimentos projeta que as reduções de 25 pontos-base ocorrerão apenas em junho e dezembro de 2027. O cenário anterior desenhado pela corretora previa cortes em dezembro de 2026 e março de 2027. O Goldman Sachs se une a um grupo cada vez maior de instituições financeiras que preveem uma pausa prolongada no afrouxamento monetário, movimento que ganhou tração após o banco Nomura também projetar a manutenção dos juros no patamar atual até o fim do próximo ano.
A mudança de postura do banco foi precipitada pela divulgação de dados oficiais de emprego (payroll) acima das expectativas. A força demonstrada pelo mercado de trabalho dá ao comitê de política monetária do Fed maior margem de manobra para monitorar os indicadores econômicos sem a urgência de aliviar as taxas para evitar uma desaceleração severa.
“Os dados resilientes sobre atividade econômica e emprego também reduzem o risco de um aumento da taxa de juros, menos porque sugerem um risco de superaquecimento do que porque um ponto de partida mais forte para a economia reduz o risco de que um aumento possa acabar parecendo um erro custoso”, destacou o Goldman Sachs em relatório.
Embora uma nova elevação nos juros permaneça fora do cenário base do banco, os analistas admitiram que essa possibilidade tornou-se ligeiramente mais plausível do que se estimava anteriormente, caso a atividade econômica dê sinais de tração excessiva.
A avaliação do Goldman Sachs indica que o caminho mais provável para a autoridade monetária é reter as taxas de juros em patamares restritivos até que os choques de oferta globais percam força. Três fatores principais sustentam essa visão de cautela prolongada:
- Tensões Geopolíticas e Tarifas: O impacto inflacionário das tarifas comerciais e a alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito envolvendo o Irã no Oriente Médio continuam pressionando os índices de preços.
- Meta de Inflação: O Fed precisa notar uma convergência clara do Índice de Preços de Consumo Pessoal (PCE) subjacente em direção à meta histórica de 2% ao ano.
- Demanda por IA: É necessário um arrefecimento na forte injeção de capital e na demanda corporativa gerada pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, considerada temporariamente superestimada pelo banco.
A percepção de juros altos por mais tempo já se reflete nos mercados futuros. De acordo com os dados mais recentes da ferramenta CME FedWatch, os investidores precificam uma probabilidade de 75,5% de que o banco central norte-americano promova novos aumentos nas taxas de juros até o final deste ano, consolidando a postura mais conservadora de Wall Street diante dos dados macroeconômicos.
