A Goomer nasceu da rotina de um restaurante familiar em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Hoje, a startup está presente em mais de 10 mil restaurantes, opera cerca de 50 mil tablets pelo país e movimenta mais de R$ 4 bilhões em pedidos por ano.
A empresa foi fundada em 2014 por Felipe Lo Sardo, ao lado de Rafael Laganaro e Daniel Wassano, colegas de faculdade em Sorocaba. O ponto de partida veio de uma dor antiga do setor: a dificuldade de contratar, treinar e manter equipes em operações com alta demanda e margens apertadas.
“Há doze anos, a principal dor dos restaurantes era mão de obra. Hoje continua sendo exatamente a mesma”, afirma Felipe Lo Sardo, CEO da Goomer.
A companhia começou com tablets instalados nas mesas, para que os clientes fizessem pedidos sem depender do garçom em todas as etapas. O primeiro nicho foram os rodízios japoneses, que costumam ter alto volume de pedidos ao longo de uma mesma refeição.
Do restaurante da família à tecnologia para o salão
Felipe cresceu acompanhando a rotina do restaurante da família, especializado em frutos do mar. O negócio existe há quase 50 anos e segue em operação, agora sob comando de familiares.
Ainda criança, ele conviveu com comandas, garçons, mesas cheias, contratação de funcionários e os problemas típicos de uma operação de alimentação fora do lar.
Durante a faculdade de engenharia, passou a observar a diferença entre restaurantes e outros setores. Enquanto bancos, indústrias e varejistas avançavam em tecnologia para ganhar produtividade, boa parte dos estabelecimentos seguia com processos manuais.
A primeira versão da Goomer atacou diretamente essa lacuna. O tablet na mesa permitia que o cliente consultasse o cardápio e fizesse pedidos sozinho, enquanto a equipe do salão ganhava tempo para circular melhor entre as mesas.
A startup começou em Sorocaba, depois avançou pelo interior paulista, pela região Sul e por outros estados.
Goomer preferiu focar no cliente, não no sistema de gestão
A Goomer optou por não criar um sistema completo de gestão para restaurantes. A escolha foi se concentrar na experiência do consumidor, do balcão para fora.
Com isso, a empresa passou a integrar suas soluções aos softwares de gestão já usados pelos restaurantes. A estratégia permitiu atuar em uma camada mais visível da operação: pedidos, cardápio, autoatendimento, totens e jornada do cliente.
Nos primeiros anos, a startup recebeu recursos de investidores-anjo e, depois, de fundos como a Domo VC. O capital ajudou a expandir a operação e ampliar o portfólio.
Em 2017, a empresa lançou totens de autoatendimento para balcões. A nova frente aumentou o mercado endereçável e abriu espaço para clientes maiores, incluindo redes como Madero, Jeronimo, KFC e Grupo Trigo.
Pandemia derrubou pedidos e acelerou delivery por WhatsApp
A pandemia foi o período mais crítico da história da Goomer. Em março de 2020, com o fechamento dos restaurantes, o volume de pedidos processados pela plataforma despencou.
“A receita deles tinha caído 90%. Ninguém estava preocupado com tecnologia. Eles queriam sobreviver”, afirma Felipe.
A empresa reagiu em quatro dias com uma plataforma de delivery integrada ao WhatsApp. O serviço foi oferecido gratuitamente aos restaurantes, em uma tentativa de manter clientes vendendo durante as restrições.
A decisão ampliou a adoção da ferramenta e fortaleceu a base da startup. Marcas como Heineken e Coca-Cola apoiaram a iniciativa no período.
Depois da pandemia, a Goomer voltou a crescer, recebeu novos investimentos e chegou a mais de 150 funcionários. Em 2023, comprou a startup Abrahão, concorrente especializada em digitalização de restaurantes.
