Governo eleva mistura de etanol na gasolina para 32%

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida, que já vinha sendo estudada nos bastidores do governo federal, foi acelerada como uma resposta estratégica à nova escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que nesta data empurrou as cotações internacionais do petróleo para o maior patamar em quase um mês.

O Palácio do Planalto tenta se antecipar aos reflexos econômicos do bloqueio naval restabelecido por Washington no Estreito de Ormuz, canal por onde escoa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. Com a iminência de gargalos logísticos e encarecimento do barril no Golfo Pérsico, o CNPE justificou a decisão técnica como um mecanismo para mitigar a dependência de combustíveis fósseis importados e ampliar a participação do biocombustível na matriz energética nacional.

A viabilidade do aumento da mistura ocorre em um momento favorável para o agronegócio do país. Conforme dados divulgados também nesta terça-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho na safra 2025/26 atingiu o recorde histórico de 141,73 milhões de toneladas. A superprodução garante o abastecimento das usinas de etanol que utilizam o cereal como matéria-prima, assegurando o estoque necessário para suprir a nova demanda do mercado de combustíveis sem risco de desabastecimento.

Apesar do apelo econômico e geopolítico, a mudança para 32% acendeu o alerta na indústria automotiva. Engenheiros e especialistas alertam que o etanol anidro, por possuir propriedades higroscópicas, tem alta capacidade de absorver a umidade do ar e transportar água para o sistema de combustão dos veículos.

O fenômeno eleva a condutividade elétrica dentro do motor, gerando riscos de corrosão eletroquímica e desgaste precoce, especialmente em modelos mais antigos ou que não possuem calibração específica para essa proporção.

Para mitigar o risco de danos mecânicos, o setor automotivo projeta a necessidade de testes rigorosos em uma série de componentes diretamente expostos à nova mistura de combustível, como tanques, boias de medição, bombas, bicos injetores e vedações.

Embora a frota de veículos flex moderna tenha maior tolerância a variações, o mercado projeta que a transição exigirá um monitoramento técnico detalhado para evitar prejuízos na manutenção dos veículos em circulação no país.

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