O Grupo Pão de Açúcar (GPA – PCAR3) enfrenta uma nova ofensiva de seus investidores por mudanças na governança. A varejista informou ao mercado, nesta segunda-feira (19), que recebeu do acionista Hugo Shoiti Fujisawa um novo pedido de convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE). A solicitação foca em dois pontos centrais: a eleição de novos membros para o conselho de administração e a exclusão do Capítulo X do estatuto social da companhia, que estabelece regras sobre a aquisição de participações relevantes, funcionando como uma barreira de proteção contra aquisições hostis.
A nova investida de Fujisawa ocorre poucos dias após o GPA ter rejeitado, em 14 de janeiro, um pedido anterior de convocação de AGE. Naquela ocasião, a solicitação havia sido assinada em conjunto com o acionista Rafael Ferri, mas foi barrada pela administração da companhia.
Ao protocolar um novo requerimento individual, Fujisawa tenta contornar os obstáculos que levaram ao indeferimento da proposta anterior, mantendo a pressão sobre a atual gestão do grupo em um momento de desafios operacionais para o varejo alimentar.
O ponto mais sensível da pauta é a proposta de remoção do Capítulo X do estatuto. No jargão do mercado financeiro, dispositivos desse tipo são conhecidos como “poison pills” (pílulas de veneno), pois impõem a obrigatoriedade de lançamento de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) a qualquer investidor que atinja um determinado percentual do capital.
A exclusão dessa cláusula poderia tornar o GPA um alvo mais acessível para movimentos de consolidação ou aquisições por outros grupos estratégicos, alterando dinamicamente a estrutura de controle da empresa.
Analistas de mercado observam que a movimentação sinaliza um descontentamento de parcela dos acionistas com a atual composição do conselho e a condução estratégica do negócio.
O GPA, que passou por um intenso processo de desalavancagem e segregação de ativos nos últimos anos, agora lida com o ativismo de minoritários que buscam maior influência nas decisões de longo prazo. A companhia deverá analisar a validade do novo pedido e se manifestar nos próximos dias sobre a viabilidade da convocação solicitada.









