A possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros reacende o alerta no agronegócio brasileiro, altamente dependente do transporte rodoviário para escoamento da produção. No país, esse modal responde por cerca de 60% a 75% da movimentação de cargas, o que torna o setor vulnerável a paralisações nas estradas.
Uma eventual interrupção no transporte pode comprometer toda a cadeia produtiva, da soja às frutas, passando por carnes, leite e hortaliças. O impacto ocorre tanto no abastecimento interno quanto nas exportações, com risco de prejuízos bilionários, como já registrado em crises anteriores.
O cenário atual é considerado sensível por coincidir com um momento estratégico da safra 2025/26, marcado pela concentração da colheita de soja e intensificação do escoamento para portos e centros logísticos. Qualquer interrupção nesse período pode gerar gargalos imediatos na logística e atrasos nos embarques.
A mobilização da categoria tem como principal motivação o aumento do preço do diesel e o descumprimento da tabela de frete mínimo. Mesmo com medidas anunciadas pelo governo para reduzir o custo do combustível, reajustes recentes anularam parte dos efeitos esperados, mantendo a insatisfação entre os caminhoneiros.
Alimentos perecíveis e exportações estão entre os mais afetados
Os impactos de uma paralisação tendem a ser imediatos, especialmente em cadeias que dependem de transporte contínuo. Produtos perecíveis, como frutas, verduras e leite, estão entre os mais vulneráveis, podendo sofrer perdas rápidas por falta de escoamento e armazenamento adequado.
Além do risco de desperdício, a interrupção logística pode provocar desabastecimento nos centros urbanos e pressão sobre os preços dos alimentos. Em casos mais prolongados, a cadeia produtiva pode ser comprometida desde a produção até a chegada ao consumidor final.
No mercado externo, o efeito também é relevante. A paralisação pode atrasar embarques de commodities como soja e carne, afetando contratos internacionais e a competitividade do Brasil como fornecedor global.
Experiências anteriores mostram que os efeitos vão além do campo. Em 2018, uma greve nacional comprometeu o abastecimento de alimentos, combustíveis e insumos, além de provocar perdas econômicas significativas em diversos setores.
O risco atual reforça um problema estrutural do agronegócio brasileiro: a forte dependência do transporte rodoviário. A ausência de alternativas logísticas em larga escala, como ferrovias e hidrovias, amplia a exposição do setor a crises desse tipo e dificulta a previsibilidade operacional em momentos críticos.
