Incorporadora mira R$ 170 milhões após apostar em moradia popular no interior de Mato Grosso

A GRF Incorporadora quer elevar o faturamento de R$ 103 milhões em 2025 para R$ 170 milhões em 2026, avanço de aproximadamente 65%. A projeção está apoiada em cerca de 3 mil unidades habitacionais já contratadas, distribuídas entre diferentes fases de aprovação e execução.

Fundada em 2018 pelos amigos Diogo Reis e Leandro Guimarães, a empresa concentrou sua expansão no interior de Mato Grosso e já entregou mais de 700 moradias em mais de dez cidades do estado.

Grande parte da operação está voltada a empreendimentos enquadrados na Faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida, destinada a famílias com renda suficiente para financiar um imóvel e acesso a condições específicas do programa habitacional.

“O nosso cliente é a classe trabalhadora, que paga seus impostos de forma suada, mas muitas vezes nunca teve acesso a esse tipo de benefício. Hoje ela consegue financiar um imóvel e realizar o sonho da casa própria”, afirma Reis, cofundador e CEO da GRF.

Negócio começou com dez casas

A trajetória da incorporadora começou em escala reduzida. Reis e Guimarães se conheceram ainda na escola, ingressaram juntos na faculdade de Engenharia Civil e passaram a trabalhar no setor imobiliário nos primeiros semestres da graduação.

No quinto semestre, decidiram abrir a própria empresa. Os dois interromperam o curso para se dedicar integralmente ao negócio.

A primeira operação saiu em 2019, com apenas dez unidades habitacionais em Diamantino (MT), financiadas com recursos próprios.

“Desde cedo nós sabíamos que queríamos empreender. Trabalhar em grandes incorporadoras nos deu experiência e nos mostrou onde podíamos chegar”, afirma Guimarães, diretor de operações e planejamento.

Ao longo da expansão, novos sócios passaram a integrar o conselho da companhia, entre eles o diretor estratégico Guilherme Freitas e o conselheiro Sebastião Reis.

Interior de Mato Grosso sustenta expansão

A GRF decidiu crescer em municípios que recebiam menor atenção de grandes incorporadoras. Mesmo após receber propostas para entrar em outros estados, a companhia mantém Mato Grosso como prioridade.

Na avaliação dos executivos, a demanda habitacional dentro do próprio estado ainda oferece espaço para novos projetos.

“O estado é enorme e ainda tem muita demanda por habitação. Entendemos que podemos contribuir bastante antes de pensar em outros mercados”, diz Reis.

A gestão dos empreendimentos é centralizada em Cuiabá. A sede administrativa reúne cerca de 70 funcionários, enquanto centenas de profissionais trabalham diretamente nos canteiros.

Considerando empreiteiros e parceiros, a força de trabalho varia entre 300 e 400 pessoas.

Projeto com 532 casas deve sair em até oito meses

Além do volume de lançamentos, a GRF tenta acelerar a execução das obras. Em Sapezal, por exemplo, a incorporadora constrói 532 unidades habitacionais com previsão de conclusão entre sete e oito meses.

A empresa também afirma ter elevado o padrão dos materiais usados nos empreendimentos populares, substituindo parte dos acabamentos básicos adotados nos primeiros projetos.

Outro foco está na formação das equipes. A companhia investe em treinamentos e capacitação e diz apostar em maior autonomia para gestores e funcionários nos canteiros.

“Quanto mais a empresa cresce, mais você precisa delegar. A construção civil sempre conviveu com muita desconfiança. Nós preferimos acreditar nas pessoas e criar um ambiente em que elas tenham oportunidade de crescer”, afirma o CEO.

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