Grupo RFK inaugura fábrica de R$ 400 milhões e projeta faturar R$ 2 bilhões

O Grupo RFK inaugurou uma fábrica de R$ 400 milhões em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Maior investimento realizado pela companhia, a unidade mais que dobra sua capacidade produtiva e sustenta o plano de alcançar R$ 2 bilhões em faturamento até 2029.

Construída em um terreno de 300 mil metros quadrados anteriormente ocupado por uma plantação de soja, a fábrica pode produzir até 2 milhões de unidades por dia, entre latas e garrafas PET. Segundo o fundador do grupo, Márcio Mendes, o volume supera a produção conjunta das outras quatro unidades da companhia.

O empreendimento foi projetado desde o início em parceria com a alemã Krones, especializada no desenvolvimento de equipamentos e plantas industriais para o setor de bebidas.

Com sede em Cambé, no norte do Paraná, o Grupo RFK emprega aproximadamente mil pessoas e também possui fábricas no Mato Grosso do Sul e no Pará. Seu portfólio reúne refrigerantes, energéticos, cervejas, água mineral e bebidas quentes, comercializados por marcas como Refriko, Furioso, Moema, Bamboa, Bella Roma e Hidratar.

Nova fábrica sustenta plano de expansão

A inauguração amplia a capacidade do grupo em um momento no qual as unidades anteriores se aproximavam de seus limites operacionais. O planejamento da nova planta começou em 2023, quando a direção decidiu rever a estratégia de expansão e estudar a estrutura logística necessária para chegar a novos mercados.

A Região Metropolitana de Curitiba foi escolhida por sua localização e pela possibilidade de atender diferentes áreas do Paraná e de São Paulo. Atualmente, a companhia está presente em cerca de 30 mil pontos de venda, diante de um universo estimado em 2 milhões de estabelecimentos no país.

A expectativa de Mendes é ocupar toda a capacidade da nova unidade em menos de três anos. A meta de faturar R$ 2 bilhões estava prevista no planejamento estratégico para 2030, mas o empresário pretende antecipá-la em um ano.

Refrigerantes, energéticos e cervejas respondem, cada um, por aproximadamente 30% da receita. Água mineral e outras linhas completam o faturamento. Mesmo com a ampliação da produção cervejeira, o grupo pretende preservar a diversificação e evitar uma dependência excessiva de uma única categoria.

Trajetória começou com distribuição de bebidas

Márcio Mendes entrou no setor em 2003, inicialmente com uma pequena distribuidora de produtos fabricados por terceiros. O modelo permitiu que o empreendedor conhecesse o mercado, os clientes e a dinâmica dos pontos de venda antes de iniciar a produção própria.

Em 2008, ele comprou uma indústria de refrigerantes desativada. A unidade levou dois anos para começar a operar e deu origem à marca Refriko, nome que também inspirou a sigla RFK.

A experiência acumulada na distribuição ajudou a primeira fábrica, instalada em Cambé, a alcançar rapidamente sua capacidade. Em vez de ampliar apenas a planta original, o grupo abriu uma segunda unidade em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em 2014.

Novas expansões em Cambé foram acompanhadas pela implantação de uma fábrica de água mineral e de outra operação em Belém, no Pará. A unidade de São José dos Pinhais é a quinta da companhia.

Grupo lança nova cerveja produzida no Paraná

A abertura da fábrica também marca o lançamento da Roma, cerveja puro malte que posteriormente ganhará uma versão ultra. A nova marca ocupará uma faixa mais premium do portfólio, que já conta com Moema e Bamboa.

O Grupo RFK entrou no mercado cervejeiro há cerca de sete anos. Para preparar a produção na nova planta, a companhia trabalhou com especialistas alemães ligados à Krones no desenvolvimento e no ajuste das fórmulas.

A estratégia comercial busca equilibrar qualidade e preço. Segundo Mendes, a companhia avalia quanto cada público está disposto a pagar e estrutura os produtos para entregar uma percepção de valor superior à faixa cobrada.

No segmento de energéticos, a marca Furioso está entre as principais apostas. O produto foi associado ao universo sertanejo e ganhou uma versão desenvolvida em parceria com a AgroPlay, empresa ligada à cantora Ana Castela.

Distribuição é apontada como principal desafio

A expansão da produção exige reforços na distribuição e na presença dos produtos nos pontos de venda. O Grupo RFK opera atualmente cerca de dez centros de distribuição próprios e pretende chegar a 30 unidades até 2028.

Os centros próprios estão concentrados no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Em mercados como São Paulo, a companhia também trabalha com distribuidores parceiros.

Na logística, aproximadamente 40% dos caminhões pertencem ao próprio grupo. O restante da operação utiliza transportadores contratados e uma gestão de fretes voltada à redução de viagens com veículos vazios.

Para Mendes, a execução dentro dos supermercados, a reposição e a disponibilidade dos produtos nas prateleiras representam desafios maiores do que a própria comunicação das marcas. A frequência de entrega exigida pelo setor de bebidas torna a operação mais complexa do que em outros segmentos do varejo.

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