Guerra contra o Irã gera custo de US$ 37,5 bilhões aos EUA

Bandeira dos EUA (Foto: Unsplash)

O custo das operações militares dos Estados Unidos no conflito contra o Irã atingiu a marca de US$ 37,5 bilhões, informou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em depoimento prestado nesta terça-feira (21) no Congresso norte-americano. A apresentação ocorreu diante de parlamentares céticos e marca a primeira audiência do chefe do Pentágono no Capitólio desde a retomada dos intensos bombardeios contra alvos iranianos, em um esforço da administração Donald Trump para obter suplementação orçamentária urgente.

O debate sobre os gastos militares ganha forte conotação política a poucos meses das eleições de meio de mandato (midterms), agendadas para novembro. Diante de uma disputa acirrada pelo controle da Câmara dos Deputados e do Senado, a oposição democrata tem explorado a impopularidade da guerra para associar os desembolsos no exterior à perda do poder de compra e às dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias americanas no ambiente doméstico.

Segundo detalhou Hegseth aos congressistas, a soma de US$ 37,5 bilhões contabiliza despesas operacionais já executadas e projeções de custos mantidas até o encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro. O cálculo oficial, contudo, é alvo de questionamentos quanto à sua metodologia, considerando que estimativas iniciais do próprio governo apontavam que apenas os seis primeiros dias de ofensiva haviam consumido US$ 11,3 bilhões em recursos públicos.

Para sustentar as operações contínuas no Oriente Médio, o presidente Donald Trump solicitou ao Congresso um aporte adicional de cerca de US$ 90 bilhões, valor cuja maior parte é diretamente destinada ao esforço de guerra. A solicitação do Executivo ampliou o atrito com parlamentares de ambas as bancadas, que criticam a falta de transparência da Casa Branca em relação às diretrizes estratégicas e ao tempo de duração da campanha militar iniciada no final de fevereiro em cooperação com Israel.

A pressão orçamentária do conflito passa a impactar o próprio orçamento anual do Pentágono, estimado em quase US$ 1 trilhão. Na mesma audiência, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, alertou que a alocação maciça de recursos na guerra pode comprometer verbas destinadas à manutenção ordinária de frotas e ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas futuras das Forças Armadas, ainda que o pagamento do contingente de pessoal permaneça assegurado.

Diante do esgotamento das margens operacionais, Hegseth apelou aos congressistas não apenas pela aprovação célere do crédito suplementar de US$ 90 bilhões, mas também pelo aval ao orçamento de US$ 1,5 trilhão solicitado para a Defesa no exercício de 2027. O secretário argumentou que eventual restrição orçamentária ao departamento representaria a principal ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos no cenário geopolítico atual.

Sair da versão mobile