Guilherme Mello é o nome de Haddad para vaga na diretoria do Banco Central

Banco Central Lança Ferramentas para Combater Fraudes e Facilitar Resgate de Valores Esquecidos

Banco Central/Divulgação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome de Guilherme Mello para assumir uma das duas cadeiras vagas no Conselho Diretor do Banco Central.

Segundo apuração com fontes próximas às discussões, que falaram sob condição de anonimato, a movimentação representa uma tentativa de Haddad de emplacar um aliado estratégico e consolidar a influência da equipe econômica dentro do colegiado. Mello, atual secretário de Política Econômica, é um dos principais interlocutores do ministro e defensor ferrenho da redução da taxa Selic, que atualmente permanece no patamar histórico de 15%.

A indicação ocorre em um momento de vacância no BC, que opera com apenas sete dos nove diretores desde o encerramento dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes, no fim de 2025.

O esvaziamento do quadro foi sentido na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, quando o órgão decidiu manter os juros básicos pela quinta vez consecutiva, embora tenha sinalizado um possível corte para o encontro de março. A entrada de Mello reforçaria o coro pela flexibilização monetária e alinharia a diretoria ao discurso governista de estímulo ao crescimento.

Guilherme Mello, de 42 anos, é um expoente da corrente econômica estruturalista, associada ao pensamento de esquerda, que propõe uma participação mais ativa do Estado e o fomento ao investimento público como ferramentas de controle inflacionário e correção de gargalos produtivos. Sua trajetória é marcada por uma proximidade histórica com o PT: foi assessor da campanha de Haddad em 2018 e um dos formuladores do programa econômico da candidatura de Lula em 2022.

Embora o presidente tenha um histórico de acatar sugestões de Haddad — como ocorreu na nomeação de Gabriel Galípolo, ex-secretário-executivo da Fazenda e atual presidente do BC —, ainda não há confirmação se a indicação de Mello será oficializada.

Até o momento, o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda não se manifestaram formalmente sobre a proposta, enviada fora do horário comercial na última sexta-feira. A decisão final cabe a Lula, que avalia o equilíbrio de forças no órgão responsável pela estabilidade da moeda nacional.

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