Alunos da Anhembi Morumbi, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, desenvolvem soluções para desafios ambientais e sociais da capital paulista por meio do Hackathon pelo Clima, iniciativa da Universidade em parceria com a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA).
A última edição da competição, realizada no primeiro semestre de 2026, premiou três projetos com propostas para ampliar a destinação correta de resíduos eletrônicos, estimular a independência financeira de mulheres vítimas de violência doméstica e apoiar micro e pequenos empresários na adoção de práticas sustentáveis.
Vencedor da competição, o projeto Ponte Tecnológica SP responde a um problema que cresce no país. O Brasil é o quinto maior gerador de lixo eletrônico do mundo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas anuais, de acordo com o Global E-waste Monitor 2024, da Organização das Nações Unidas (ONU). No Estado de São Paulo, mais de 525 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos são geradas por ano e apenas 3% recebem destinação correta.
Para mudar esta realidade, o projeto, criado por alunos da Anhembi Morumbi, propõe quatro iniciativas: coleta, triagem, manutenção nos equipamentos por meio da capacitação de novos técnicos e doação para quem mais precisa. “O diferencial da Ponte Tecnológica SP é que ela não apenas recicla o lixo eletrônico, mas recupera equipamentos que ainda possuem vida útil e os transforma em ferramentas de educação, trabalho e inclusão digital, reduzindo impactos ambientais e gerando benefícios sociais e econômicos ao mesmo tempo”, aponta o estudante Enzo Hashimoto, do 1º semestre da Faculdade de Ciências Econômicas.
O Hackathon pelo Clima está na quarta edição e, na mais recente, envolveu 50 grupos de alunos, que puderam apresentar ideias inovadoras para a cidade. “Criamos uma cultura dentro da Universidade e alunos de diferentes cursos são motivados a participar”, conta a professora responsável pelo Hackathon pelo Clima e especialista em meio ambiente, Andrea Gonçalves Carneiro.
De acordo com o coordenador da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo (SECLIMA), Alessandro Bender, a administração municipal tem adotado estratégias de gamificação para garantir um envolvimento mais potente por parte da sociedade. “Acreditamos que o diálogo com a sociedade deve ser feito de maneira lúdica e envolvente. Todos os nossos projetos visam a possibilidade de criação de políticas públicas. Para isso, buscamos manter um canal transparente, efetivo e verdadeiro entre a sociedade e o poder público”, afirma.
O coordenador acadêmico de Gestão e Negócios e do Núcleo Integrado de Inovação da Universidade Anhembi Morumbi, professor Macir Bernardo, explica que o objetivo é estimular os alunos a pensarem em soluções que podem melhorar a vida das pessoas, principalmente os paulistanos. “É um banco de ideias importantes para a Prefeitura de São Paulo e, para os nossos alunos, uma oportunidade de pensar na cidade e na sua futura profissão além da sala de aula, com projetos que podem fazer a diferença.” Todos os projetos foram realizados por grupos de alunos.
Rede Recomeço e sustentabilidade
Selecionado em segundo lugar, o projeto Rede Recomeço foi desenvolvido para responder a um dos principais obstáculos enfrentados por mulheres que tentam romper o ciclo da violência doméstica: a dependência financeira. A proposta consiste em um hub voltado a estimular a autonomia e a independência financeira de mulheres vítimas de violência doméstica, dos 18 aos 50 anos.
A solução atua como a fase dois do acolhimento, complementando ferramentas de denúncia e segurança imediata já existentes, como o aplicativo Mulher Segura SP. Dessa forma, além de contribuir para a proteção inicial, o projeto busca oferecer condições para que as mulheres reconstruam suas trajetórias pessoais e profissionais e tenham recursos para deixar definitivamente situações de violência.
“Após a análise de dados do ano de 2025, notamos que a dependência financeira continua sendo um dos principais motivos que prendem a mulher no ciclo de violência. Por isso, a plataforma oferece apoio integral, unindo o acesso a serviços jurídicos e psicológicos a cursos preparatórios, portal de qualificação e um banco de vagas de emprego exclusivas em empresas parceiras”, detalha a aluna Mádhavi Campregher dos Santos, do 1º ano de Marketing.
Ao reunir atendimento especializado, qualificação profissional e oportunidades de emprego, a Rede Recomeço transforma o diagnóstico sobre a dependência financeira em uma proposta de intervenção prática. A iniciativa reforça a relevância social do Hackathon pelo Clima ao abordar não apenas questões ambientais, mas também desafios sociais que afetam diretamente a segurança, a autonomia e a qualidade de vida das mulheres.
Por fim, o SustApp ficou em terceiro lugar na competição. O aplicativo tem como foco os diagnósticos de sustentabilidade e pretende ajudar micro e pequenos empresários a incorporarem práticas sustentáveis e a fazer a gestão de riscos no dia a dia de seus negócios. “O SustApp oferece uma solução de baixo custo para auxiliar empresas no atendimento das exigências da NR1 e na gestão de riscos ocupacionais”, afirma a estudante do curso de Marketing Manuela Figueiredo, atualmente no 2º ano.
Hackaton pelo Clima
Anhembi Morumbi e SECLIMA/Prefeitura de São Paulo
| PROJETOS PREMIADOS | OBJETIVOS |
| Ponte Tecnológica SP | Promover a coleta, a triagem e a recuperação de equipamentos eletrônicos, capacitar novos técnicos e doar os aparelhos recuperados para pessoas que precisam de acesso à tecnologia. |
| Rede Recomeço | Estimular a independência financeira de mulheres vítimas de violência doméstica por meio de apoio jurídico e psicológico, qualificação profissional e acesso a vagas de emprego. |
| SustApp | Auxiliar micro e pequenos empresários na realização de diagnósticos de sustentabilidade, na adoção de práticas sustentáveis e na gestão de riscos ocupacionais. |
