A Hero Seguros pretende encerrar 2026 com R$ 390 milhões em faturamento bruto, alta de 81% sobre os R$ 215 milhões registrados no ano anterior. A projeção acompanha uma nova etapa da insurtech, que recebeu um aporte de R$ 35 milhões para ampliar o portfólio no Brasil e acelerar a expansão pela América Latina.
Fundada por Guilherme Wroclawski e Raphael Swierczynski, a empresa também espera elevar o lucro antes de juros e impostos, o EBIT, de R$ 24,5 milhões em 2025 para R$ 40 milhões neste ano. Segundo os fundadores, metade do resultado operacional previsto já havia sido alcançada no primeiro semestre.
O crescimento ocorreu principalmente no seguro-viagem, responsável por 90% das receitas da companhia em 2025. A Hero afirma ter alcançado 15% de participação no mercado brasileiro e fechado o período com 2,5 milhões de pessoas seguradas.
Aporte marca entrada de fundos institucionais
Liderada pela Headline XP, com participação da Actyus, a rodada trouxe os primeiros fundos institucionais para o quadro de acionistas. Parte relevante da operação foi secundária, com a compra de ações pertencentes aos fundadores e a executivos.
Mesmo após a transação, Wroclawski e Swierczynski permaneceram com mais de 40% da empresa cada um e conservaram o controle da companhia. A parcela primária do investimento, somada aos recursos gerados pela própria operação, será usada na abertura de novos mercados e no desenvolvimento de produtos.
A Hero já instalou um escritório regional em Buenos Aires e montou estruturas no Uruguai, Chile e México. A operação também alcança mercados como Colômbia, Guatemala, Equador e Costa Rica, embora a quantidade de países varie conforme novas atividades são constituídas.
Seguro-viagem deve perder peso na receita
A internacionalização ocorre ao mesmo tempo que a empresa reduz a dependência de seu produto principal. Em 2025, cerca de 10% do faturamento veio de outras modalidades. Para 2026, a expectativa é que o seguro-viagem represente aproximadamente 75% da receita, enquanto as novas categorias e as operações latino-americanas respondam pelos 25% restantes.
Entre as frentes já lançadas estão proteção financeira, seguro prestamista e garantia estendida. A estratégia é aproveitar os mesmos canais utilizados no seguro-viagem, incluindo bancos, fintechs, corretoras, agências e operadoras de turismo.
O modelo de distribuição é predominantemente B2B2C. A Hero desenvolve produtos, precificação, tecnologia e jornada de atendimento, enquanto o risco permanece com uma seguradora parceira. A empresa atua como agente geral de gestão, formato conhecido pela sigla MGA, em parceria com a Generali Brasil.
Tecnologia entra na estratégia comercial
Para acelerar as cotações, a insurtech desenvolveu o Agente Xavier, ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp. O sistema interpreta mensagens de texto, áudios e imagens, responde a dúvidas e conduz cotações de seguros.
Treinada com mais de 5 mil perguntas feitas por agentes e corretores, a solução utiliza diferentes modelos de inteligência artificial de forma combinada. Nos testes, a Hero registrou ganho médio de 60% na eficiência dos processos de cotação e emissão.
Outra frente é a Hero Academy, plataforma voltada à capacitação de agências e corretores. O ambiente reúne cursos, conteúdos gamificados e recursos de IA para apoiar profissionais responsáveis pela venda dos produtos.
Trajetórias complementares deram origem à empresa
Antes da Hero, Wroclawski construiu carreira em negócios digitais. Ele criou o agregador de ofertas SaveMe, adquirido pelo Buscapé, participou de outros projetos de tecnologia e entrou no mercado de seguros ao assumir uma diretoria na Ciclic.
Swierczynski seguiu uma trajetória diferente, com mais de três décadas no setor segurador. Passou pela ACE, atual Chubb, e pela QBE, onde chegou à presidência da operação brasileira, antes de integrar a Ciclic.
A convivência na insurtech ligada à BB Seguros aproximou os executivos e deu origem à tese da Hero. A primeira venda foi realizada em março de 2022. Quatro anos depois, a companhia combina crescimento no seguro-viagem, expansão geográfica e diversificação do portfólio para tentar cumprir a meta de faturamento estabelecida para 2026.









