A Hope quer chegar a R$ 1 bilhão em faturamento em 2026 sem depender apenas da abertura de novas lojas. Depois de registrar R$ 770 milhões em receita em 2025, a empresa decidiu reorganizar o portfólio e reunir lingerie, moda fitness e moda praia sob uma única marca.
A estratégia recebeu investimento de R$ 30 milhões e busca aumentar as vendas por metro quadrado, elevar o ticket médio e tornar as unidades mais produtivas.
Em vez de operar marcas separadas, a companhia passa a organizar a oferta em três categorias dentro da bandeira Hope: Underwear, Sport e Resort. A mudança será aplicada nas novas lojas e, aos poucos, também na rede atual.
Hope quer vender mais nas lojas que já tem
A decisão acompanha um desafio comum no varejo: crescer em um cenário de juros altos, custos elevados de implantação e consumidor mais seletivo. Abrir novas unidades continua nos planos, mas a empresa quer extrair mais receita da estrutura já existente.
Hoje, a Hope opera cerca de 340 lojas franqueadas e pretende abrir outras 60 unidades neste ano. Segundo a companhia, aproximadamente 70% do pipeline de expansão vem de franqueados que já fazem parte da rede.
A expectativa é que a integração das categorias acrescente cerca de 10% ao faturamento das operações conforme as lojas forem convertidas para o novo formato.
Do total investido, R$ 10 milhões serão direcionados à fábrica de Maranguape, no Ceará. Os recursos serão usados em novas máquinas de corte, expansão da produção de peças sem costura e aumento da capacidade produtiva. Outros R$ 20 milhões irão para marketing e comunicação do novo posicionamento.
Lingerie, fitness e praia sob a mesma marca
Durante décadas, a Hope construiu sua imagem principalmente em lingerie. Agora, a empresa quer ampliar essa percepção e ser reconhecida como uma marca de lifestyle.
A mudança foi testada em cidades médias e grandes. Nos pilotos, a companhia percebeu que consumidoras que entravam na loja para comprar lingerie também passaram a levar peças fitness e de moda praia.
A ideia é transformar uma visita antes concentrada em uma categoria em uma jornada de compra mais ampla. Com mais opções no mesmo ponto de venda, a Hope tenta aumentar o número de itens por compra e reduzir a dependência de uma única linha de produtos.
Canal multimarca também será ampliado
A reorganização da marca também deve chegar ao canal multimarca, responsável por cerca de 25% do faturamento da empresa.
Atualmente, a Hope atende aproximadamente 2 mil clientes nesse modelo. A meta é ampliar a presença das linhas Sport e Resort, que antes estavam mais concentradas nas lojas próprias e franquias.
No digital, a empresa também avança em integração de estoques. A companhia passou a usar produtos das lojas para abastecer pedidos feitos no e-commerce, reduzindo prazos de entrega e aproximando a operação de um modelo omnichannel.
Peças sem costura ganham espaço
Outra frente de crescimento está nas peças sem costura. Produzidas com tecnologia mais automatizada, elas ajudam a empresa a oferecer produtos com preços mais competitivos em um mercado que ganhou novos concorrentes nacionais e internacionais.
Mesmo assim, a companhia afirma que não pretende disputar apenas por preço. A aposta continua em conforto, qualidade e inovação de produto, atributos que sustentaram a marca no mercado de lingerie.
A Hope também observa mudanças no perfil de consumo. Segundo a empresa, o avanço das canetas emagrecedoras começou a alterar a demanda por tamanhos, com maior procura por peças PP e P nas coleções mais recentes. A companhia ainda não divulga números sobre essa mudança, mas afirma que vem ajustando a grade de produção.
Franquias seguem no centro da expansão
A rede de franquias continua sendo o principal motor físico da Hope. A diferença é que, no novo modelo, cada unidade passa a ter um papel mais amplo dentro da estratégia da empresa.
Uma loja que antes era vista sobretudo como destino para lingerie passa a vender também roupas para treino, praia e momentos de lazer. Para os franqueados, o objetivo é aumentar produtividade sem depender apenas de mais fluxo.
A meta de R$ 1 bilhão em 2026 depende justamente dessa combinação: novas lojas, maior venda por metro quadrado, portfólio mais amplo e integração entre físico e digital.
