Com a frota de veículos no Brasil alcançando 121 milhões de unidades, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran/24), o setor de transportes tem passado por uma transformação constante, especialmente nos últimos anos, impulsionada pela adoção de novas tecnologias que aprimoram como as operações são conduzidas. Diversas estratégias voltadas para a gestão de frotas têm sido repensadas, com ênfase em aspectos como sustentabilidade, eficiência e segurança.
O especialista Victor Cavalcanti, CEO da Infleet, startup baiana desenvolvedora de soluções para frotas, destaca algumas das principais tendências emergentes para as empresas que operam no setor de transporte para este ano. “A gestão de frotas está cada vez mais alinhada com a inovação tecnológica, o compromisso ambiental, a segurança e a humanização na gestão do trabalho dos motoristas”, ressalta Cavalcanti, apontando que a combinação desses fatores é essencial para garantir eficiência e sustentabilidade nas operações.
Os investimentos em práticas sustentáveis, como a compensação de carbono e iniciativas para reduzir as emissões de gases poluentes, devem crescer nos próximos anos, conforme aponta Cavalcanti. “Empresas que investem em soluções sustentáveis não estão apenas atendendo à legislação e à pressão do mercado, mas também estão se preparando para um futuro mais equilibrado e responsável”, afirma o CEO da Infleet.
Nesse sentido, as empresas estão integrando práticas mais verdes não apenas em suas operações diárias, mas também em estratégias de longo prazo, alinhando seus modelos de negócios aos objetivos globais de sustentabilidade. “Estamos vendo um movimento crescente de empresas que não se limitam a minimizar o impacto ambiental, mas buscam criar um modelo de negócios totalmente circular, onde recursos são reutilizados, e a emissão de resíduos é reduzida ao máximo”, explica. Além disso, esse movimento tem impulsionado inovações e soluções que beneficiam tanto os negócios quanto o meio ambiente.
O consumidor deve continuar exigente e na expectativa de encontrar marcas que compartilhem de seus valores, especialmente no que se refere à responsabilidade social e ambiental. “Adotar práticas sustentáveis não é mais uma opção, mas uma necessidade para manter a competitividade no mercado”, conclui Victor Cavalcanti.
“É fundamental que a tecnologia se torne acessível para todos. Queremos que os gestores de frotas possam adotar essas ferramentas de forma simples e percebam os benefícios em tempo real, com operações mais eficientes, seguras e, claro, mais sustentáveis”, afirma Cavalcanti. Ele destaca que a integração inteligente de dados será essencial não só para melhorar a operação diária das frotas, mas também para responder às exigências de sustentabilidade cada vez mais presentes no mercado.
Em 2025, uma das principais tendências para a gestão de frotas será a humanização no trato com os motoristas. Um dos focos será a qualidade do ambiente de trabalho, incluindo a gestão do tempo ao volante e a saúde ocupacional dos motoristas.
Entre as formas de melhorar a qualidade de vida dos motoristas, está o monitoramento do tempo de direção. A legislação brasileira já estabelece regras rigorosas sobre a jornada de trabalho dos motoristas profissionais, como a Lei 13.103/2015, conhecida como a “Lei do Motorista”, que estabelece que o tempo de direção ininterrupto de um motorista não pode ultrapassar 5 horas e meia.
Essa regulamentação visa reduzir a fadiga ao volante, um dos principais fatores que contribuem para acidentes de trânsito. No entanto, a tendência para 2025 é que as empresas invistam cada vez mais em tecnologias para garantir que essas regulamentações sejam cumpridas de forma eficaz e para promover o bem-estar dos motoristas.
Além disso, a valorização dos motoristas e a criação de um ambiente de trabalho saudável e seguro se tornarão essenciais para engajar e reter esses profissionais. A humanização vai além do cuidado com a saúde física e envolve também melhorias nas condições gerais de trabalho, como o conforto, a segurança e o suporte emocional.
“A humanização do trabalho e o monitoramento inteligente das jornadas irão criar um ciclo contínuo de melhorias, tanto para a qualidade de vida dos motoristas quanto para a eficiência das operações”, conclui Cavalcanti.