Hypera entra na corrida das canetas de semaglutida com o Semavy

A Hypera deu mais um passo para entrar no mercado brasileiro de canetas injetáveis à base de semaglutida, segmento que movimenta bilhões de reais no país e ganhou força com a popularização de medicamentos usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a companhia registrou junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED, o nome comercial Semavy para sua caneta de semaglutida sintética.

A etapa antecede a concessão do registro sanitário pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. A expectativa é que o produto seja destinado ao tratamento do diabetes tipo 2.

“A Hypera Pharma informa que protocolou, junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), solicitação de análise de preço da semaglutida. O protocolo integra o processo regulatório necessário para a comercialização do produto no Brasil”, informou a companhia ao InfoMoney.

Mercado ganhou força após queda de patente

A movimentação da Hypera ocorre após a queda da patente da semaglutida no Brasil, em março. Desde então, farmacêuticas nacionais e internacionais passaram a acelerar suas estratégias para disputar um mercado dominado por medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk.

Em maio, a EMS recebeu aval da Anvisa para o Ozivy, também à base de semaglutida. A distribuição começou em junho pelas principais redes farmacêuticas das capitais, com expansão prevista para todo o país.

Tanto o Ozivy quanto o Semavy foram classificados como medicamentos novos, segundo a Folha. Isso significa que eles não entram nas categorias de genéricos, similares ou biossimilares.

Ainda assim, a expectativa do setor é que a entrada de novos concorrentes ajude a pressionar os preços das canetas de semaglutida no Brasil.

Segmento movimenta pelo menos R$ 5 bilhões

O mercado de agonistas de GLP-1, classe de medicamentos que imita a ação de um hormônio ligado ao controle da glicose e da sensação de saciedade, cresceu rapidamente no país.

Segundo a reportagem, o segmento movimenta pelo menos R$ 5 bilhões por ano no Brasil, sem considerar produtos manipulados ou medicamentos que entram ilegalmente no país.

A expansão foi impulsionada pelo aumento da procura por tratamentos associados à perda de peso e ao controle do diabetes tipo 2. O avanço também colocou o tema no centro de discussões regulatórias, comerciais e de saúde pública.

Novo Nordisk reforçou presença com Eurofarma

Com o fim da exclusividade da patente, a Novo Nordisk também se movimentou para manter presença no mercado brasileiro.

A farmacêutica fechou parceria com a Eurofarma, que passou a comercializar a substância sob duas marcas: Poviztra, voltada à perda de peso, e Extensior, indicada para diabetes.

A estratégia amplia a oferta de produtos à base de semaglutida no país e reforça a disputa entre farmacêuticas por um mercado de alta demanda.

Semaglutida também pode voltar ao debate no SUS

A chegada de novos concorrentes ocorre em paralelo a uma discussão sobre a possível incorporação de medicamentos à base de semaglutida no Sistema Único de Saúde, o SUS.

Nesse contexto, a Novo Nordisk apresentou uma nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, para tentar levar o tratamento à rede pública. A análise ainda depende de critérios como custo-efetividade, impacto orçamentário e evidências clínicas.

Já a entrada de empresas como EMS, Eurofarma e, agora, Hypera pode mudar o equilíbrio competitivo do setor, especialmente se houver redução de preços e maior disponibilidade dos medicamentos.

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