O mercado financeiro brasileiro vive uma tarde de euforia e cautela estratégica nesta quarta-feira (28). O Ibovespa, principal índice da B3, atingiu a máxima histórica de 185.065 pontos, operando com alta de 1,11% por volta das 15h.
O movimento de otimismo reflete a recepção positiva de dados domésticos, como a prévia da inflação de janeiro, que veio abaixo das expectativas, pavimentando o caminho para o tão aguardado ciclo de cortes na taxa Selic. No câmbio, o dólar registra uma leve valorização de 0,07%, cotado a R$ 5,20, após ter tocado a mínima de R$ 5,17 durante a manhã.
O grande catalisador do dia é a primeira “Superquarta” de 2026, data em que os comitês de política monetária do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed) anunciam suas decisões sobre os juros.
No cenário nacional, embora o consenso aponte para a manutenção da Selic em 15% nesta reunião, o mercado já precifica uma redução gradual ao longo do ano. Segundo o último Boletim Focus, a expectativa é que a taxa básica encerre 2026 em 12,25%, o que representaria um alívio de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual, fortalecendo a atratividade de ativos de risco como as ações.
Nos Estados Unidos, o clima é de tensão política e expectativa monetária. O Federal Reserve deve manter os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%, mas os investidores estão atentos ao comunicado de Jerome Powell.
O cenário é pressionado por ataques recentes do presidente Donald Trump, que defende cortes mais agressivos e chegou a ameaçar o chefe do Fed com medidas judiciais devido a declarações feitas ao Congresso. Essa instabilidade política reflete-se em Wall Street, onde os índices operam de forma mista: enquanto o Nasdaq avança impulsionado por empresas de tecnologia, o Dow Jones registra perdas significativas.
O impacto da Superquarta também ecoa nas bolsas europeias, que operam majoritariamente no vermelho, aguardando as sinalizações da maior economia do mundo. Analistas destacam que a combinação de uma inflação controlada no Brasil com a queda na confiança do consumidor americano cria um cenário de “descolamento” positivo para os ativos brasileiros.
O foco dos gestores agora se volta para o tom dos comunicados que serão divulgados ao fim do dia, que servirão como bússola para os investimentos em renda variável e para o fluxo de capital estrangeiro no país nos próximos meses.
