iCred emite R$ 750 milhões com Itaú BBA e projeta mais R$ 3 bilhões até final do ano

iCred, fintech especializada em crédito consignado para beneficiários do INSS, antecipação do FGTS e consignado trabalhador, emitiu nova oferta de R$ 750 milhões destinada integralmente à carteira de INSS. Coordenada pelo Itaú BBA, a operação marca a segunda emissão estruturada com a instituição em um intervalo de três meses. Com ela, a fintech supera R$ 5 bilhões em emissões no mercado de capitais e projeta conceder mais R$ 3 bilhões em novos créditos ao longo de 2026, com a meta de alcançar 10% do mercado de portabilidade de crédito consignado do INSS até dezembro.

A nova operação amplia a capacidade de originação no segmento de INSS e fortalece a estrutura de capital para o ciclo do ano. O prazo previsto de alocação é de três meses, com estimativa de repetição das emissões por igual período e potencial de ampliação do volume contratado conforme a demanda e a performance da carteira.

Segundo Túlio Matos, CEO e cofundador da iCred, a nova emissão reflete a evolução operacional da fintech nos últimos meses. “As condições desta captação são mais competitivas do que as da operação anterior, acompanhando o desempenho da carteira e o fortalecimento da nossa estrutura de risco”, afirma.

Com a nova captação, a iCred dá continuidade à estratégia de expansão sustentada por funding estruturado, disciplina de risco e eficiência operacional. “Nosso foco é crescer com previsibilidade, mantendo controle sobre risco e rentabilidade, mesmo em um ambiente de maior seletividade no crédito”, completa o executivo.

Fundada em 2022, a iCred nasceu a partir do Grupo Vida Nova (GVN), promotora de crédito com 20 anos de atuação fundada pela família Matos. A operação é conduzida pelos irmãos Túlio, Thiago, Pedro e Júlio, que estruturaram a transição do negócio familiar para o modelo de fintech.

Com sede em Aracaju (SE), a companhia iniciou suas operações com antecipação do saque-aniversário do FGTS e expandiu a atuação para o consignado INSS. Ao longo da trajetória, estruturou emissões no mercado de capitais carregando 100% do risco subordinado — modelo que estabelece disciplina na alocação de capital e alinhamento entre gestão, risco e performance.

Para Matos, a recorrência das operações com o Itaú BBA está associada a essa construção. “Ter novamente uma das maiores instituições financeiras da América Latina na estrutura dessa emissão é um sinal de que o histórico de performance e a forma como estruturamos risco e capital vêm sendo reconhecidos pelo mercado”, afirma.

Parte relevante do crescimento projetado para 2026 virá do segmento de portabilidade de crédito consignado. “No mercado de INSS, a taxa média praticada em contratos novos permanece próxima ao teto regulatório, um reflexo natural da estrutura do setor, em que instituições que conquistaram acesso à folha de pagamento do INSS mediante investimento financeiro no credenciamento precisam remunerar esse custo ao longo do tempo, o que tende a manter as taxas de novos contratos próximas ao teto regulatório. A portabilidade é o mecanismo pelo qual o consumidor acessa condições mais competitivas sem depender da instituição original: o contrato migra, o juro cai, o endividamento não aumenta”, explica Matos.

A iCred já detém 5% de participação nesse mercado e mira alcançar 10%. “Quando renegociamos um contrato, estamos devolvendo renda para quem já estava comprometido. É crescimento que não piora o endividamento das famílias, pelo contrário, melhora a condição financeira de quem já tem crédito”, conclui o executivo.

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