A IG4 Capital apresentou uma proposta para adquirir parte das dívidas da Raízen como parte do processo de reestruturação financeira da empresa. A estratégia tem como objetivo transformar esses créditos em ações e garantir uma participação superior a 50% na companhia após a conclusão da operação.
A iniciativa ocorre poucos dias após a gestora fechar um acordo para assumir o controle compartilhado da Braskem, ampliando sua atuação em grandes empresas brasileiras em processo de reestruturação.
Plano prevê conversão de dívidas em ações
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen prevê a conversão de 45% da dívida financeira em participação acionária, o que poderá representar cerca de 80% do capital social da empresa. A intenção da IG4 é adquirir uma parcela relevante desses créditos para se tornar a principal acionista após a conversão.
Para isso, a gestora enviou propostas aos credores e pretende reunir os créditos em um fundo de investimento, oferecendo alternativas como participação no fundo, pagamento em dinheiro ou instrumentos financeiros vinculados ao desempenho futuro da operação.
Reestruturação envolve cerca de R$ 65 bilhões
A Raízen aprovou recentemente um plano de reestruturação envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, considerado um dos maiores processos de recuperação extrajudicial já realizados no Brasil. O plano recebeu adesão de cerca de 80% dos credores.
Além da conversão parcial das dívidas em ações, o acordo prevê o alongamento dos débitos remanescentes e novos aportes financeiros dos atuais acionistas da empresa.
Credores terão papel decisivo
A estratégia da IG4 depende da negociação individual com bancos, investidores institucionais, detentores de debêntures e outros credores.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a gestora argumenta que a concentração dos créditos em um único veículo dará maior poder de negociação aos credores durante a recuperação da companhia, em comparação com uma base pulverizada de acionistas após a conversão das dívidas.
Raízen enfrenta desafios financeiros
Controlada pela Cosan e pela Shell, a Raízen vem enfrentando dificuldades decorrentes do elevado endividamento, juros altos, resultados operacionais abaixo do esperado e impactos negativos em algumas safras agrícolas. Esse cenário levou a empresa a iniciar o processo de reestruturação financeira neste ano.
A companhia atua nos segmentos de produção de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis, sendo uma das maiores empresas do setor sucroenergético do mundo.
Operação ainda depende das negociações
A proposta apresentada pela IG4 é não vinculante e ainda depende da adesão dos credores. Caso consiga reunir a maior parte dos créditos que serão convertidos em ações, a gestora poderá assumir o controle da Raízen ao fim do processo de reestruturação.
