O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou uma retração mais intensa do que a projetada pelo mercado financeiro no mês de junho de 2026. De acordo com o relatório estatístico oficial divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (7), o indicador registrou uma deflação de 0,79%, revertendo de forma expressiva o avanço de 0,87% observado no balanço macroeconômico do mês anterior. O recuo superou a mediana das expectativas coletadas em pesquisa realizada pela agência Reuters, que apontava para uma variação negativa mais moderada, de 0,60%. Com o desempenho do fechamento mensal, o índice consolidou uma variação acumulada de 3,59% no intervalo de doze meses.
A forte inflexão na trajetória de preços foi determinada pelo comportamento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), braço do indicador focado no atacado e que responde por uma fatia de 60% da composição do índice geral.
O IPA-DI registrou uma queda de 1,36% em junho, após ter anotado uma expansão de 0,95% na leitura anterior. Esse alívio na cadeia produtiva industrial e agropecuária foi ditado pelo recuo de importantes commodities exportadas pelo Brasil: o minério de ferro interrompeu a sequência altista e passou a cair 4,12% em junho, enquanto o café em grão aprofundou sua trajetória negativa ao recuar 8,68% no período.
No ambiente do varejo, a pressão sobre o orçamento das famílias também deu sinais claros de arrefecimento. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), cuja ponderação técnica equivale a 30% do IGP-DI, registrou desaceleração ao passar de uma alta de 0,60% em maio para 0,36% em junho.
A perda de fôlego da inflação ao consumidor decorreu diretamente do comportamento mais brando dos grupos Alimentação e Habitação, categorias que reúnem 40% de todo o orçamento medido no IPC. O segmento de alimentos desacelerou de 1,29% para 0,47% em junho, enquanto os custos atrelados à moradia recuaram de um avanço de 1,18% para 0,37%.
Na última vertente que compõe a metodologia do indicador geral, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) — responsável pelos 10% restantes da taxa flutuante — acompanhou a tendência de alívio e mostrou acomodação ao fechar o mês com alta de 0,78%, ante 0,88% verificado na folha anterior. O cálculo oficial do IGP-DI consolida a flutuação de preços ao produtor, ao consumidor final e na construção civil computando as variações ocorridas entre o primeiro e o último dia do mês de referência.
