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Home Tecnologia

Mais da metade das incorporadoras brasileiras já usa IA, mas retorno ainda é desafio

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
22/06/2026
em Tecnologia
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A inteligência artificial já entrou na rotina do mercado imobiliário brasileiro. Segundo a pesquisa “Panorama da Inteligência Artificial no Mercado Imobiliário Brasileiro 2026”, 56,5% das incorporadoras do país já utilizam IA em alguma etapa da operação.

O estudo foi desenvolvido pela Morada.ai, proptech especializada em inteligência artificial para o setor, em parceria com a BCB Inteligência e a Upload. O levantamento indica que a discussão deixou de ser apenas sobre adoção da tecnologia. Agora, o desafio é transformar testes e usos pontuais em produtividade, eficiência operacional e retorno financeiro.

“O mercado imobiliário está entrando em uma nova fase de adoção da Inteligência Artificial. A discussão já não é mais se as empresas vão utilizar IA, mas como aplicar essa tecnologia para gerar eficiência, produtividade e melhores decisões de negócio”, afirma Ramon Azevedo, CEO da Morada.ai.

Empresas contratam soluções prontas

Entre as companhias que já usam IA, 67,9% adotam soluções de terceiros. Apenas 15,4% desenvolveram ferramentas próprias.

A maior parte das empresas ainda está em uma fase recente de adoção. Segundo o levantamento, 41,7% utilizam inteligência artificial há um a três anos.

As ferramentas mais usadas pelas empresas entrevistadas são Claude, com 22,7%, ChatGPT, com 19,9%, Gemini, com 13,1%, e Copilot, com 9,1%.

Atendimento e produtividade lideram ganhos

Entre os principais benefícios percebidos pelas empresas que adotaram IA estão melhoria no atendimento ao cliente, citada por 35%, aumento de produtividade, com 31,2%, redução de custos, com 30,8%, e apoio à tomada de decisões estratégicas, também com 30,8%.

Na prática, a tecnologia começa a aparecer em áreas como vendas, atendimento, CRM, marketing, gestão de obras, engenharia, controle financeiro e automação de processos.

Marketing comercial e gerenciamento de obras lideram as áreas de maior impacto, com 31,6% das citações cada. Na sequência aparecem projetos e engenharia, com 26,5%, controle financeiro, com 25,5%, e automação de processos, com 21,4%.

Para Bruno Cantalupo, diretor da BCB Inteligência, a diferença entre as empresas mais avançadas e as demais está na capacidade de transformar interesse em aplicação estruturada.

“A IA tem potencial para gerar ganhos significativos de produtividade, mas seu impacto real depende da forma como as empresas incorporam essa tecnologia ao dia a dia dos negócios”, afirma.

Falta de equipe preparada freia avanço

Apesar da adoção crescente, o setor ainda enfrenta barreiras. Entre as empresas que não utilizam IA ou não conseguem informar seu estágio de uso, a principal dificuldade é a dúvida sobre retorno do investimento, apontada por 23,8%.

Também aparecem falta de equipe preparada, com 19,5%, prioridades mais urgentes, com 17,3%, e falta de conhecimento sobre inteligência artificial, também com 17,3%.

“O dado mais relevante talvez não seja apenas o percentual de adoção atual, mas a velocidade com que o mercado está se movimentando. O principal desafio identificado não está na tecnologia, mas na preparação das equipes”, afirma Jota Baptista, fundador da Upload.

Investimentos devem crescer em 2026

A pesquisa aponta que 37,1% das empresas que já utilizam IA pretendem aumentar os investimentos na tecnologia em 2026. Outros 35,8% devem manter os aportes atuais.

Entre as empresas que ainda não usam IA, as áreas de maior interesse para futuras aplicações são análise de crédito, com 21,1%, projetos e engenharia, com 20%, marketing comercial, com 18,4%, comercial e vendas, com 16,2%, e gerenciamento de obras, com 15,7%.

Para Luis Veloso, CRO da Morada.ai, a próxima etapa será medir o impacto financeiro da tecnologia.

“Com as informações da pesquisa sobre a realidade do mercado, percebemos que o próximo desafio é transformar esse uso em retorno sobre investimento. Ou seja, focamos em fazer com que as empresas que já utilizam IA consigam converter essa adoção em produtividade, eficiência e resultado financeiro”, afirma.

Tags: ImóveisincorporadorasInteligência Artificialmercado imobiliárioMorada.aiProptechTecnologia
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Ao longo da carreira, participou da produção de conteúdos voltados à tecnologia, comportamento e inovação, com passagem por veículos como TechTudo e GZH. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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