Índia e União Europeia selam acordo comercial inédito

A Índia e a União Europeia consolidaram, nesta terça-feira (27), o que o primeiro-ministro Narendra Modi classificou como a “mãe de todos os acordos”. O tratado de livre comércio, finalizado durante a 16ª Cimeira Índia-UE em Nova Deli, encerra quase duas décadas de negociações intermitentes e cria uma zona comercial que abrange cerca de 2 bilhões de pessoas.

O movimento ocorre em um contexto de realinhamento geopolítico, servindo como uma barreira estratégica contra a instabilidade tarifária dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump.

O pacto prevê reduções tarifárias drásticas e abrangentes. A Índia concordou em reduzir as taxas sobre 96,6% das exportações da UE, com destaque para o setor automotivo, onde as tarifas sobre carros de luxo cairão de 110% para até 10% sob um sistema de cotas.

Outros setores europeus beneficiados incluem maquinários (taxas de 44% cairão para zero), produtos farmacêuticos e químicos. No setor agrícola, o azeite de oliva europeu terá acesso isento de impostos, e as tarifas sobre vinhos e bebidas espirituosas sofrerão cortes graduais significativos.

Em contrapartida, a UE eliminará tarifas sobre 99,5% dos bens indianos, impulsionando setores de mão de obra intensiva como têxteis, vestuário, couro e joalheria, que agora ganham uma vantagem competitiva crucial no mercado europeu.

Apesar da magnitude do acordo, setores sensíveis foram protegidos: a Índia excluiu laticínios e cereais para proteger seus pequenos produtores, enquanto a UE manteve restrições sobre o açúcar e certas carnes indianas.

Além do comércio de bens, o tratado abre 144 setores de serviços e estabelece uma parceria de segurança e defesa, sinalizando que a relação entre Bruxelas e Nova Deli evoluiu para uma âncora estratégica global.

Com a conclusão das negociações, o texto passará por uma revisão jurídica de aproximadamente seis meses, com expectativa de implementação total até o início de 2027.

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