Indústria do Brasil volta a crescer em junho, mas produção e vendas ainda recuam, aponta PMI

(Foto: Rebecca Cook / Reuters)

A atividade industrial no Brasil voltou a crescer em junho de 2026, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) compilado pela S&P Global. O indicador subiu de 49,1 em maio para 50,8 em junho, ultrapassando a marca de 50 pontos, que separa contração de expansão.

Apesar do avanço, o resultado indica uma recuperação ainda frágil e desigual dentro do setor.

Produção e novas encomendas seguem em queda

O crescimento geral foi sustentado por fatores secundários, enquanto os principais motores da atividade continuam pressionados.

Os dados mostram que produção e novas encomendas permaneceram em território de contração, refletindo demanda mais fraca e menor apetite dos clientes por bens industriais.

A melhora do PMI foi parcialmente explicada por outros componentes, como geração de empregos e aumento de estoques, que ajudaram a compensar a queda na atividade produtiva.

Estoques e emprego sustentam o índice

Entre os elementos que impulsionaram o indicador, destacam-se:

O aumento dos estoques, inclusive, atingiu o ritmo mais forte em quase cinco anos, segundo a pesquisa, refletindo estratégias de segurança das empresas diante de incertezas na demanda.

Pressões externas e cadeias globais influenciam cenário

O relatório também aponta que parte das dificuldades operacionais está ligada a fatores externos, como tensões geopolíticas e impactos em cadeias de suprimentos globais.

Essas pressões têm afetado custos de insumos, transporte e prazos de entrega, ainda que em intensidade menor do que em meses anteriores.

Confiança das empresas recua

Mesmo com a leve melhora do índice geral, a confiança empresarial caiu em junho, atingindo o menor nível em 14 meses.

O recuo reflete preocupações com demanda, concorrência e incertezas econômicas e políticas, que seguem influenciando decisões de produção e investimento.

Indústria ainda em fase de ajuste

O conjunto dos dados indica que a indústria brasileira permanece em fase de ajuste: há sinais pontuais de melhora, mas sem recuperação consistente da produção e das vendas.

A leitura geral do PMI sugere que o setor segue dependente de fatores como recomposição de estoques e mercado de trabalho, enquanto a demanda efetiva ainda não apresenta retomada robusta.

Sair da versão mobile