Antiga Meta brasileira vira Insi e mira R$ 1 bilhão com IA e expansão global

A empresa brasileira de tecnologia que por mais de três décadas se chamou Meta mudou de nome após uma longa disputa com a Meta Platforms, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. A companhia gaúcha agora passa a se chamar Insi.

A troca de marca ocorre depois de um acordo entre as partes, cujos termos permanecem sob confidencialidade. A disputa começou em 2021, quando Mark Zuckerberg anunciou que o Facebook passaria a se chamar Meta Platforms, em uma aposta no metaverso.

O problema é que a empresa brasileira já usava o nome Meta desde 1990 e tinha registro da marca no Brasil antes da gigante americana. Em 2024, a companhia chegou a vencer uma etapa da disputa na Justiça, mas a decisão foi suspensa após recurso da empresa de Zuckerberg.

Agora, a mudança para Insi marca uma nova fase. A companhia fechou 2025 com R$ 540 milhões em faturamento, projeta chegar a R$ 712 milhões em 2026 e mira R$ 1 bilhão em receita até 2027.

Acordo encerra disputa pelo nome Meta

Segundo Telmo Costa, fundador e CEO da Insi, a mudança de marca foi viabilizada por um acordo com a Meta Platforms.

“Chegamos a um acordo com o Facebook, de comum acordo para ambas as partes. Existe uma cláusula de confidencialidade, mas isso nos permitiu seguir nessa direção”, afirma.

A disputa ganhou relevância porque a coincidência de nomes passou a gerar confusão no mercado brasileiro. A empresa nacional alegava receber notificações e demandas destinadas à companhia americana, o que aumentou o desgaste operacional e jurídico.

Apesar disso, a mudança de nome não é apresentada apenas como consequência do litígio. A Insi afirma que já vinha discutindo a necessidade de uma marca única para sustentar sua expansão internacional.

“A gente percebeu que precisava dar um passo a mais. Não fazia sentido operar com marcas diferentes em cada região. A força vem exatamente da unidade”, diz Costa.

Da Meta brasileira à Insi

O novo nome vem do latim e faz referência à “essência das coisas”. Internamente, a empresa afirma que a mudança traduz melhor a proposta de entender o negócio dos clientes antes de aplicar tecnologia. A companhia nasceu em 1990, no Rio Grande do Sul, em um período anterior à internet comercial no Brasil.

Costa fundou o negócio enquanto ainda era estudante da PUC-RS, em um contexto marcado pelo fim da reserva de mercado de informática no país.

A leitura inicial era que a abertura econômica aumentaria a competição e obrigaria empresas brasileiras a modernizar sistemas e processos. A tecnologia, nesse cenário, seria uma ferramenta central para melhorar produtividade e gestão.

Um dos primeiros grandes contratos veio com a Pirelli no Brasil. O projeto depois foi levado a outras operações da multinacional, abrindo caminho para a expansão da empresa ainda nos primeiros anos.

Empresa quer acelerar presença nos EUA e na Ásia

A nova marca chega em um momento de crescimento internacional. Hoje, 15,5% do faturamento da Insi vem de contratos fora do Brasil. A empresa atende clientes em 20 países e iniciou uma ofensiva no mercado asiático, com foco especial na China.

A companhia também amplia atuação no mercado americano e busca novas frentes de crescimento em inteligência artificial.

“A marca entra dentro de uma jornada muito maior. A gente está ampliando a atuação no mercado americano, entrando no mercado asiático, expandindo para outros países e aumentando o nível de investimento no negócio”, diz Costa.

A entrada na China tem peso estratégico. Para a Insi, o país não representa apenas um mercado consumidor, mas também um polo relevante de inovação, talentos e parcerias em IA.

Claudio Carrara, vice-presidente da companhia, passou recentemente mais de 20 dias no país para buscar aproximação com ecossistemas locais.

“A nossa leitura é que a China não é apenas um mercado. Existe um potencial muito forte de trabalhar com profissionais chineses, desenvolver parcerias e antecipar tendências tecnológicas”, afirma.

IA vira centro da estratégia

A Insi atua na modernização digital de empresas, com projetos que vão do diagnóstico de maturidade tecnológica à criação de agentes inteligentes para automação e ganho de eficiência.

Nos últimos anos, a companhia investiu mais de R$ 55 milhões em inteligência artificial, expansão operacional e formação de pessoas. Para os próximos 24 meses, a previsão é investir mais R$ 100 milhões.

A estratégia é capturar a demanda de empresas que querem aplicar IA de forma prática, sem limitar o uso da tecnologia a ferramentas pontuais.

“Não é simplesmente colocar IA dentro da empresa. É entender como ela pode gerar resultado real, eficiência operacional e até novos modelos de negócio”, afirma Costa.

A Insi também enxerga Estados Unidos e China como os principais polos globais de inovação em inteligência artificial. A presença nesses mercados deve ajudar a companhia a acompanhar tendências e trazer soluções para clientes no Brasil e em outros países.

Além do crescimento orgânico, a Insi prepara uma nova rodada de aquisições. A empresa já tem participação em oito companhias e pretende concluir entre duas e três operações de M&A até 2027. Segundo Carrara, as compras devem complementar o portfólio, fortalecer equipes e abrir espaço em segmentos estratégicos.

“As aquisições devem trazer complementação de portfólio, reforço de times e entrada em segmentos que queremos fortalecer”, afirma.

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