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Inter quer transformar 9% do Pix do Brasil em crédito, lucro e ROE de 30%

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
15/07/2026
em Empresas
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Depois de construir uma base de 44 milhões de clientes, o Inter entrou em uma nova etapa de sua estratégia. A prioridade deixou de ser apenas conquistar usuários e passou a ser transformar o volume de transações em depósitos, crédito, receita e maior rentabilidade.

O banco afirma estar próximo de concentrar 9% de todas as transações Pix realizadas no Brasil. No primeiro trimestre de 2026, o fluxo movimentado por meio do sistema de pagamentos dentro da plataforma alcançou R$ 396 bilhões.

A escala também aparece na frequência de uso. O Inter registra cerca de 20,8 milhões de acessos por dia e se aproxima da marca de 1 bilhão de transações financeiras mensais.

Para Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil, esse movimento ajuda a explicar por que a instituição passou a se definir como uma plataforma tecnológica que oferece serviços financeiros.

Cada pagamento, transferência ou movimentação aumenta a quantidade de dados disponíveis sobre o comportamento do cliente e amplia as oportunidades de oferecer produtos como crédito, investimentos, seguros e serviços bancários.

Pix ajuda Inter a buscar principalidade

O objetivo do banco é fazer com que os clientes deixem de utilizar a conta apenas como uma opção secundária e concentrem nela uma parcela maior de sua vida financeira.

Essa posição, conhecida no setor como principalidade, aumenta a entrada de recursos, a frequência de uso e a possibilidade de venda de produtos.

Dos 44 milhões de clientes cadastrados, aproximadamente 25,8 milhões são considerados ativos. A estratégia agora está em aprofundar o relacionamento com essa base, aumentando o número de serviços utilizados por cada pessoa.

O Pix ocupa uma posição central nesse processo porque está presente em atividades recorrentes, como transferências, pagamentos e recebimentos. Quanto maior o volume movimentado, maior a probabilidade de o cliente manter dinheiro na conta e utilizar outros produtos da instituição.

A aposta é que a escala já construída nos pagamentos funcione como porta de entrada para o crescimento da carteira de crédito.

Custo de captação está em 64% do CDI

A movimentação financeira dos clientes também fortalece a capacidade de captação do banco. Atualmente, o custo de funding do Inter equivale a aproximadamente 64% do CDI, segundo Riccio.

O funding representa os recursos utilizados pela instituição para financiar empréstimos e outras operações de crédito. Quanto menor esse custo, maior tende a ser a flexibilidade para definir taxas, escolher mercados e preservar margens.

“Com esses 64% do CDI, provavelmente o menor custo de funding da indústria, podemos escolher onde queremos competir”, afirmou o executivo durante participação no programa Números Falam, do NeoFeed e da CNN Brasil.

Depósitos em conta, investimentos e outros recursos mantidos pelos clientes ajudam a formar essa estrutura. O crescimento das transações, portanto, não gera valor apenas pelas tarifas ou serviços associados. Ele também reduz a necessidade de buscar dinheiro em fontes mais caras.

Esse diferencial ganha importância em um cenário de juros elevados e maior disputa por clientes considerados de baixo risco.

Carteira de crédito cresce três vezes mais que os pares

A carteira de crédito do Inter encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 49,8 bilhões, avanço de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo o banco, o ritmo foi aproximadamente três vezes superior ao observado entre instituições comparáveis do setor.

A expansão deverá continuar, mas a administração afirma que pretende manter disciplina na análise de risco e concentrar os recursos em segmentos nos quais identifica vantagens competitivas.

O grande desafio está em conciliar crescimento e qualidade. Uma expansão acelerada da carteira pode ampliar a receita, mas também elevar a inadimplência e as provisões caso a concessão não acompanhe a capacidade de pagamento dos clientes.

A base de transações pode ajudar nesse controle. Ao acompanhar entradas, gastos e movimentações, o banco consegue formar uma visão mais detalhada do comportamento financeiro de cada usuário.

Esses dados podem ser usados para definir limites, precificar operações e selecionar os produtos mais adequados para cada perfil.

ROE atual é de 15,5%, mas meta permanece em 30%

O retorno sobre o patrimônio líquido, conhecido pela sigla ROE, alcançou 15,5% no primeiro trimestre de 2026.

O indicador mede quanto lucro uma empresa consegue gerar em relação ao capital de seus acionistas. Quanto maior o percentual, maior a rentabilidade produzida sobre os recursos investidos no negócio.

Em 2023, o Inter estabeleceu a meta de chegar a um ROE de 30%. Embora o resultado atual esteja praticamente na metade desse patamar, Riccio afirma que o objetivo permanece no planejamento estratégico.

Para avançar, o banco precisará aumentar receitas, melhorar a eficiência, expandir o crédito com controle de risco e aproveitar a estrutura de captação mais barata.

A instituição também precisa ampliar a quantidade de produtos utilizados pela base atual. O crescimento do número de clientes continua importante, mas tende a produzir menos impacto quando os usuários mantêm pouca movimentação ou utilizam apenas serviços gratuitos.

“Rule of 50” combina crescimento e rentabilidade

Para acompanhar a evolução, o Inter criou uma métrica interna chamada Rule of 50.

Inspirado em indicadores utilizados por empresas de tecnologia, o cálculo soma o crescimento da receita ao ROE. A meta é manter o resultado próximo de 50%.

Na prática, uma expansão de 30% na receita combinada a um retorno sobre o patrimônio de 20% atenderia ao indicador. Outra possibilidade seria crescer menos, mas apresentar rentabilidade maior.

A métrica busca evitar que o banco priorize um único lado da equação. Crescer rapidamente sem gerar retorno pode exigir capital constante e pressionar o balanço. Aumentar a rentabilidade sem expandir o negócio, por outro lado, pode limitar o valor criado no longo prazo.

“O crescimento de receitas somado ao ROE precisa ficar em uma faixa próxima de 50%”, disse Riccio.

A administração pretende sustentar um avanço anual de aproximadamente 30% enquanto se aproxima gradualmente da meta de rentabilidade.

Tags: Alexandre Ricciobanco digitalCréditoFintechInterPixROE
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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