A Sabesp (SBSP3) consolidou o ano de 2025 com um salto histórico em sua capacidade financeira, destinando R$ 15,2 bilhões para obras de infraestrutura — um crescimento de 120% em relação ao exercício anterior. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (4), revelam a estratégia da companhia, agora sob controle do grupo Equatorial, para antecipar as metas de universalização dos serviços de água e esgoto no estado de São Paulo para 2029.
Com 1.100 frentes de obras ativas e uma média de 2.400 novos domicílios conectados diariamente, a maior empresa de saneamento da América Latina busca não apenas cumprir o cronograma pós-privatização, mas criar uma “folga” estratégica.
Segundo o presidente-executivo da Sabesp, Carlos Piani, a aceleração observada em 2025 permite que a empresa planeje com maior rigor as fases mais complexas do contrato, que se tornarão “mais granulares e difíceis” a partir de 2027, quando as metas passarão a considerar áreas informais e recortes municipais específicos.
No balanço das entregas de 2025, a companhia superou as metas contratuais em até 150%, conectando 664 mil imóveis à rede de água e expandindo o tratamento de esgoto para 1,37 milhão de residências.
Piani destacou em entrevista à Reuters que a Sabesp deve concentrar quase metade de todo o investimento em saneamento realizado no Brasil atualmente. Para 2026, a expectativa é de que o volume de aportes seja ainda superior, mantendo o que o executivo classificou como “velocidade de cruzeiro”.
No radar de expansão, a Sabesp mantém o interesse na privatização da mineira Copasa, processo que o governo de Minas Gerais planeja concluir até abril com expectativa de arrecadar R$ 10 bilhões. No entanto, Piani demonstrou cautela quanto ao regramento do leilão e à complexidade regulatória em Belo Horizonte e outros 600 municípios mineiros.
O executivo ressaltou que a falta de clareza sobre a regionalização dos contratos em Minas, modelo que simplificou a operação em São Paulo, será determinante para definir o apetite da Sabesp pelo ativo vizinho.
