IPCA-15 avança 0,20% em janeiro e fica levemente abaixo das projeções

O cenário inflacionário brasileiro no início de 2026 apresenta uma dualidade que desafia as expectativas do mercado financeiro e a condução da política monetária. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, o IPCA-15 registrou uma alta de 0,20% em janeiro, o que representa uma desaceleração em relação aos 0,25% observados em dezembro.

Apesar do arrefecimento mensal, o indicador acumulado em 12 meses subiu para 4,50%, posicionando-se exatamente no limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,0% com tolerância até 4,5%.

Essa pressão no acumulado de 12 meses ocorre em um momento de extrema sensibilidade para o Banco Central, que inicia hoje sua primeira reunião do ano para deliberar sobre a taxa Selic.

Com os juros básicos atualmente em 15% ao ano — nível considerado bastante restritivo —, a autoridade monetária enfrenta o dilema de equilibrar a convergência da inflação à meta com as crescentes apostas do setor produtivo por um afrouxamento monetário. Embora a manutenção da taxa em 15% seja o consenso para esta quarta-feira, o mercado buscará no comunicado sinais claros sobre quando o ciclo de cortes poderá, de fato, começar.

A dinâmica interna dos preços revela que o grupo de Alimentação e Bebidas voltou a ser uma preocupação, acelerando para 0,31% após um período de alívio. Itens essenciais como tomate e batata-inglesa registraram saltos de dois dígitos, interrompendo uma sequência benéfica de quedas nos preços dos alimentos no domicílio.

Esse movimento de alta foi parcialmente compensado pelo desempenho favorável dos setores de Habitação e Transportes. A adoção da bandeira tarifária verde resultou em uma queda de 2,91% na energia elétrica, enquanto o recuo nos preços das passagens aéreas e do ônibus urbano ajudou a segurar o índice geral.

A convergência dos dados com as previsões da Reuters sugere que o comportamento dos preços está dentro do radar dos analistas, mas a proximidade com o teto da meta limita o espaço de manobra do Copom.

O foco imediato dos investidores agora se desloca para o tom do discurso oficial: se o Banco Central enfatizará o cumprimento do teto da meta ou se dará peso à desaceleração mensal como justificativa para uma postura mais branda nas próximas reuniões.

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