A JBS retirou de sua estratégia climática a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2040 em toda a cadeia de valor, compromisso anunciado em 2021. A mudança aparece no relatório de sustentabilidade de 2025 e altera principalmente a abordagem para as emissões de Escopo 3, responsáveis por cerca de 96% da pegada total da companhia naquele ano.
A empresa passará a concentrar metas com prazo definido nas emissões que controla diretamente, reunidas nos Escopos 1 e 2, relacionados às operações próprias e ao consumo de energia.
Para o Escopo 3, que inclui emissões indiretas da cadeia de fornecedores, como as associadas ao gado processado e à produção de ração, a estratégia deixa de perseguir uma redução absoluta e passa a priorizar ganhos de eficiência e queda na intensidade das emissões.
“Estamos refinando e concentrando nossas metas naquilo que conseguimos controlar e medir diretamente”, afirmou Jason Weller, diretor global de sustentabilidade da JBS, em artigo publicado pela companhia.
Escopo 3 representa 96% das emissões
A dimensão da mudança está justamente na distribuição da pegada de carbono da empresa.
Segundo o relatório, os Escopos 1 e 2 responderam por pouco menos de 4% das emissões totais da JBS em 2025. Os cerca de 96% restantes vieram do Escopo 3, principalmente da cadeia pecuária e da produção de ração.
A companhia argumenta que uma meta absoluta envolvendo centenas de milhares de produtores rurais, diferentes países e dezenas de milhões de hectares depende de uma infraestrutura de dados e medição que ainda não está padronizada globalmente.
“Cumprir uma ambição sistêmica nessa escala depende de dados, adesão dos produtores, tecnologia e infraestrutura de medição que ainda estão em desenvolvimento na agricultura global”, afirmou Weller.
A JBS também informou que a categoria de bens e serviços adquiridos usada no inventário não incorpora emissões ligadas a mudanças no uso da terra ou desmatamento.
Meta de 30% até 2030 foi mantida
Apesar de abandonar o compromisso abrangente de net-zero em 2040, a companhia manteve a meta de reduzir em 30% a intensidade das emissões dos Escopos 1 e 2 até 2030, na comparação com a base de 2019.
O novo relatório também estabelece um objetivo adicional: cortar em 70% essas emissões nas unidades de processamento até 2050.
Na cadeia de fornecedores, a empresa pretende concentrar esforços em produtividade e eficiência. A tese é reduzir a quantidade de emissões por unidade produzida, mesmo sem estabelecer um teto absoluto para o volume total de carbono gerado.
JBS também retira meta de US$ 100 milhões em P&D
Outra mudança envolve o compromisso de investir US$ 100 milhões em pesquisa e desenvolvimento para reduzir emissões de Escopo 3.
A meta deixou de aparecer na nova estratégia.
Segundo Weller, esses recursos passarão a ser incorporados às operações da empresa por meio de programas diretos. Entre os exemplos citados está uma iniciativa no Brasil para apoiar pequenos produtores no cumprimento da legislação ambiental e na adoção de práticas regenerativas.
