JBS entra no Índice Russell 3000 e deve atrair fluxo passivo de US$ 190 Milhões

A JBS (JBSS3) anunciou na última sexta-feira (23) a aprovação em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de sua estrutura de dupla listagem

Tanajura FIlmes/Divulgação

A provedora global de índices FTSE Russell confirmou na última sexta-feira (26) a inclusão da JBS no índice Russell 3000, um dos termômetros mais importantes e abrangentes do mercado acionário dos Estados Unidos. O Russell 3000 engloba as 3.000 maiores empresas norte-americanas de capital aberto, cobrindo cerca de 98% de todo o valor de mercado investível daquela região.

O ingresso no indicador ocorre pouco mais de um ano após o frigorífico brasileiro concluir o seu processo de dupla listagem de ações em Nova York. Desde a formatação dessa estrutura societária internacional, a administração da JBS vinha destacando que um de seus principais objetivos estratégicos era justamente qualificar a companhia para compor os grandes índices de ações dos EUA — como as famílias de índices da S&P, CRSP e Russell —, ampliando de forma consistente sua base de investidores globais.

A inclusão em índices de grande prestígio atua como um gatilho mecânico de compra por parte de fundos de investimento automatizados. Grandes casas de análise de Wall Street e do Brasil projetam reflexos imediatos na dinâmica de negociação dos papéis da processadora de proteínas.

Relatórios emitidos pelo banco Morgan Stanley apontam que a entrada no Russell 3000 deve destravar de forma direta cerca de US$ 190 milhões em fluxos passivos, impulsionados por fundos de índice (ETFs) e fundos mútuos que replicam compulsoriamente a carteira da FTSE Russell.

Analistas do Santander já haviam sinalizado no início do ano que a elegibilidade da companhia para as carteiras do Russell 1000 e 3000 funcionaria como o principal catalisador para aumentar o volume diário negociado e mitigar riscos de liquidez. O banco mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo estabelecido em R$ 58.

A notícia da inclusão chega em um momento de ajuste técnico para os ativos da companhia no mercado secundário. Atualmente avaliada em US$ 13,42 bilhões, o BDR da JBS (JBSS32) registra uma desvalorização acumulada de 18,34% no ano de 2026. Durante o último Investor Day da empresa, realizado há duas semanas, o consenso de analistas de mercado enfatizou que o papel carrega um desconto excessivo quando comparado a seus concorrentes globais de alimentos de mesma escala.

O Itaú BBA calcula que a JBS esteja negociando com múltiplos múltiplos de valuation ao redor de 6 vezes a relação EV/EBITDA (Valor da Empresa sobre o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), patamar que se encontra bem abaixo das médias históricas observadas para o setor de frigoríficos. Alinhado a essa visão, o Bradesco BBI pontuou que esse desconto atual é injustificado, pois desconsidera as melhorias operacionais em execução na eficiência fabril da companhia e o seu potencial real de geração de caixa em um cenário operacional normalizado, abrindo espaço para um movimento de valorização e reprecificação das ações no curto e médio prazo.

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