A Jota, fintech brasileira que oferece uma conta digital para empreendedores com uso de inteligência artificial e interações por chat, captou US$ 30 milhões em uma rodada Série A. O aporte avaliou a companhia em US$ 185 milhões após o investimento.
A rodada foi liderada pela Haun Ventures, gestora criada por Katie Haun, ex-promotora federal dos Estados Unidos e ex-general partner da Andreessen Horowitz. O investimento marca a primeira aposta da firma, que tem US$ 2,5 bilhões sob gestão, em uma startup brasileira.
Também participaram da rodada HOF Capital e Alter Global, que já estavam no cap table desde o pre-seed, além da Greyhound Capital, que entrou agora como investidora.
Conta digital funciona por app e WhatsApp
Fundada há dois anos por Davi Holanda, a Jota nasceu com a proposta de simplificar a rotina financeira de pequenos empreendedores. O nome faz referência ao termo “PJ”, usado para pessoas jurídicas.
A conta digital funciona pelo aplicativo próprio da fintech e pelo WhatsApp. O usuário pode fazer pagamentos enviando comandos em texto, áudio ou foto. Também pode receber dinheiro por meio de um QR Code gerado pela plataforma.
Outro diferencial está na camada de inteligência artificial. O empreendedor pode consultar saldo, movimentações, relatórios de faturamento, cálculos financeiros e recomendações de gestão por meio do chat.
Para abrir uma conta pelo WhatsApp, o cliente inicia uma conversa com a empresa, passa pelo cadastro e recebe uma chave Pix para movimentar valores.
Fundador passou por PagBank e Bankly
Antes de criar a Jota, Holanda trabalhou por seis anos no PagBank, onde participou da criação de mais de 15 produtos, incluindo a entrada da companhia em maquininhas e cartões pré-pago e de crédito.
Em 2018, após o IPO do PagBank, ele ajudou a fundar o Bankly, plataforma de banking as a service que foi comprada pela Méliuz e depois vendida ao Banco BV.
Na Jota, a tese é que a próxima interface dos serviços financeiros será menos baseada em telas tradicionais de aplicativo e mais em agentes de IA capazes de executar tarefas continuamente para os clientes.
Fintech aposta em agentes para rotina do empreendedor
Além da conta digital, a Jota lançou funcionalidades voltadas à gestão diária dos clientes. Uma delas é o Jota Calendário, agente de IA integrado ao Gmail e ao Outlook que lê eventos e cria avisos.
A empresa também oferece o Jota Lembretes e Tarefas, que programa pagamentos e recebimentos, e o Jota Cheque Especial, que usa Open Finance para acompanhar contas do usuário. Quando identifica que uma conta entrou no cheque especial, a plataforma pode sugerir ações, como transferir recursos de outra conta com saldo positivo.
Hoje, essas funcionalidades são gratuitas. A monetização atual da startup vem da FalaTap, ferramenta que transforma o celular em maquininha e permite aceitar pagamentos com cartão em até 12 vezes.
A solução foi lançada há cerca de um mês. A meta da Jota é chegar a dezembro com ARR de R$ 50 milhões, considerando receitas de adquirência e antecipação de recebíveis.
Crédito e assinatura estão no plano
Com os recursos da rodada, a Jota pretende lançar novas funcionalidades. Uma delas é uma oferta de crédito integrada ao alerta de cheque especial. Quando a plataforma identificar que o cliente entrou no limite, poderá oferecer um empréstimo com juros menores para cobrir o valor.
A outra frente é o Jota 3.0, uma versão mais proativa do agente de IA da fintech. A empresa pretende manter o produto completo gratuito, mas com limite diário de uso. Quem quiser ultrapassar esse limite poderá pagar uma assinatura.
O modelo é chamado pela empresa de “reverse trial”, em que o usuário experimenta a solução completa antes de decidir se paga por uso adicional.
Meta é chegar perto de 1 milhão de usuários
A Jota tem hoje cerca de 300 mil usuários. A meta do fundador é chegar perto de 1 milhão até o fim do ano.
A rodada reforça a disputa por novas interfaces financeiras no Brasil. Depois da onda de bancos digitais e plataformas de banking as a service, a Jota aposta que o próximo ciclo será definido por contas operadas por conversa, áudio, imagem e agentes de IA.
Para pequenos empreendedores, a promessa é reduzir a dependência de planilhas, aplicativos complexos e rotinas manuais. Para investidores, a tese é que a combinação entre conta digital, pagamentos, Open Finance, crédito e IA pode criar uma nova camada de relacionamento financeiro para quem trabalha como PJ.
