JPMorgan registra queda de lucro no 4º trimestre após ajustes ligados ao cartão da Apple

O JPMorgan Chase divulgou nesta terça-feira (13) seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, registrando um lucro líquido de US$ 13 bilhões (ou US$ 4,63 por ação). O montante representa uma queda em comparação aos US$ 14 bilhões (US$ 4,81 por ação) apurados no mesmo período do ano anterior, retração atribuída a encargos extraordinários derivados do novo acordo com o Goldman Sachs para assumir a parceria de cartões de crédito da Apple.

Apesar da queda no lucro nominal, o desempenho operacional do maior banco dos Estados Unidos demonstrou força. Quando excluídos os efeitos pontuais do acordo, o lucro trimestral ajustado saltou para US$ 14,7 bilhões (US$ 5,23 por ação), superando os números de 2024. Esse crescimento foi impulsionado majoritariamente pela robustez na divisão de “trading”, que compensou a pressão dos itens não recorrentes no balanço.

Em comunicado oficial, o presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, reforçou uma visão otimista sobre o cenário macroeconômico norte-americano. “A economia dos EUA manteve-se resiliente”, afirmou o executivo. Dimon destacou que, embora existam sinais de desaceleração no mercado de trabalho, o quadro não apresenta deterioração crítica. Segundo ele, o consumo das famílias segue ativo e o setor corporativo mantém indicadores de saúde financeira.

No curto prazo, o impacto negativo de 1 bilhão de dólares no lucro líquido (caindo de US$ 14 bi para US$ 13 bi) deve-se ao que o mercado chama de “custos de transação” ou “provisões de entrada”. Ao assumir uma carteira de crédito bilionária como a do Apple Card, o JPMorgan precisa, por normas contábeis, reservar imediatamente uma parte do capital para cobrir possíveis perdas futuras com empréstimos (provisões). Além disso, há custos operacionais significativos para migrar milhões de clientes de uma plataforma bancária para outra, o que gera esse efeito extraordinário no trimestre.

No entanto, ao analisar o lucro ajustado de US$ 14,7 bilhões, percebe-se que a operação principal do banco está saudável o suficiente para absorver esse impacto. Para o JPMorgan, o interesse não está apenas na rentabilidade imediata do cartão, mas no acesso a uma base de dados valiosa de consumidores de alta renda e fidelizados ao ecossistema Apple. No longo prazo, a expectativa é que essa parceria gere receitas recorrentes através de juros e taxas, além de permitir o “cross-selling” (venda cruzada) de outros produtos bancários para esses clientes.

Em resumo, o balanço atual reflete o “preço de entrada” para dominar um dos produtos financeiros mais desejados do setor de tecnologia.

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