Spin-off da Keep.i quer virar o “sistema operacional” dos líderes com IA

A startup paulistana Jumpe chega ao mercado com a proposta de usar inteligência artificial para apoiar líderes na tomada de decisão e na execução de tarefas dentro das empresas.

Criada como spin-off da Keep.i, plataforma de visualização de dados fundada por Roberto Cabrera, a Jumpe quer ocupar uma camada mais estratégica: deixar de apenas organizar informações e passar a recomendar prioridades, interpretar sinais e acionar fluxos de trabalho.

A empresa se apresenta como uma espécie de “sistema operacional do líder moderno”, reunindo dados, dashboards, relatórios, reuniões, apresentações e e-mails em uma única plataforma.

Da visualização de dados à execução

A Jumpe nasce a partir da experiência acumulada pela Keep.i em mais de dez anos de operação. Nesse período, a empresa conectou mais de 25 mil marcas e gerou mais de 150 mil painéis analíticos, com integrações a ferramentas de mercado.

Com a venda da Keep.i concluída no fim de 2025, o time decidiu reconstruir a arquitetura da solução para a era da inteligência artificial.

O objetivo é reduzir a distância entre informação, decisão e execução. Em vez de depender de múltiplos dashboards, reuniões e ferramentas isoladas, a Jumpe oferece uma camada conversacional com memória persistente, governança e automação integrada.

“Durante anos, ajudamos empresas a organizar dados. Mas ficou evidente que o problema já não era a visualização. O novo gargalo passou a ser o modelo de decisão atual”, afirma Cabrera.

Plataforma entende contexto da operação

A solução funciona por linguagem natural. Um líder pode perguntar quanto foi investido em mídia no mês e qual retorno isso gerou em pipeline, cruzando dados de Meta, Google e CRM em uma única resposta.

Essa ferramenta também pode criar dashboards por comando, gerar apresentações executivas, automatizar relatórios recorrentes, identificar clientes com risco de churn e disparar ações conectadas ao CRM e a plataformas de mídia.

A cada interação, o sistema acumula contexto sobre prioridades, histórico e critérios de decisão da empresa. A governança também é configurável: líderes definem quais ações podem ser executadas automaticamente e quais precisam de aprovação humana.

“Autonomia não significa ausência de controle. O papel da IA é acelerar a execução. O papel do humano continua sendo julgamento”, afirma Cabrera.

IA ainda não virou operação em escala

A aposta da Jumpe ocorre em um momento em que a inteligência artificial já entrou nas empresas, mas ainda enfrenta dificuldade para se transformar em operação.

Segundo dados citados pela companhia, a Deloitte aponta que o acesso de profissionais à IA cresceu 50% em 2025, mas apenas 34% das organizações usam a tecnologia para transformar profundamente negócios, processos ou modelos operacionais.

A BCG, também citada pela startup, afirma que a percepção positiva sobre GenAI entre profissionais de linha de frente sobe de 15% para 55% quando há forte apoio da liderança.

Para a Jumpe, esse cenário aumenta a importância de líderes capazes de identificar gargalos, escolher processos a automatizar e transformar dados dispersos em decisões coordenadas.

Foco inicial mira líderes e equipes enxutas

No lançamento, a Jumpe mira fundadores, líderes multitarefa, heads de growth, equipes de operações de mídia, empresas B2B com estrutura analítica enxuta e agências que precisam escalar operação sem ampliar o quadro.

A startup pretende disponibilizar 100 fontes de dados ainda no primeiro mês. Nesta fase inicial, a plataforma já nasce conectada às principais ferramentas usadas por líderes.

O núcleo executivo reúne Roberto Cabrera como fundador, Vitor Queiroz como CTO, Antonio Melo como COO e Wellington Rodrigues como CPO.

Julgamento humano segue no centro

A tese da Jumpe é que a IA tende a tornar a execução mais barata e rápida, enquanto o julgamento humano se torna mais valioso dentro das organizações.

A plataforma não pretende substituir o papel do gestor, mas reduzir o custo operacional entre intenção e ação. A proposta é permitir que líderes gastem menos tempo reunindo dados e coordenando tarefas manuais, e mais tempo decidindo o que deve ser feito.

“A IA não substitui julgamento. Ela reduz o custo operacional entre intenção e execução. É isso que muda completamente a forma como as empresas vão operar nos próximos anos”, afirma Cabrera.

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