Guerra no Irã eleva em R$ 3,4 bi o custo da Latam Airlines

Guerra no Oriente Médio pressiona os custos da maior companhia aérea da América Latina. Empresa divulga resultados do primeiro trimestre e revisa projeções para o ano.

A Latam Airlines prevê despesas adicionais com combustível superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre de 2026. O valor equivale a cerca de R$ 3,4 bilhões na cotação atual. Portanto, o conflito no Oriente Médio passa a ser um fator direto nas contas da companhia.

Por que o combustível ficou mais caro

O querosene de aviação é o principal custo das empresas aéreas. Ele é derivado do petróleo. Assim, qualquer choque no mercado de petróleo impacta diretamente as operações do setor.

O preço do combustível subiu após a guerra no Irã, que bloqueou a exportação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais do produto. Além disso, a incerteza geopolítica mantém os preços elevados sem previsão de recuo no curto prazo.

A projeção da Latam considera um preço do querosene de aviação de US$ 170 por barril no terceiro trimestre e de US$ 150 por barril no quarto trimestre.

Como a empresa pretende absorver o impacto

A Latam não ficará parada diante da alta. Segundo a empresa, diversas medidas já estão em curso para reduzir os danos. Entre elas estão ações de gestão de receita, ajustes de capacidade direcionados, iniciativas adicionais de controle de custos, medidas de liquidez e a política de hedge da companhia.

Ainda assim, os efeitos são inevitáveis. A Latam prevê uma margem operacional ajustada de um dígito médio a baixo para o segundo trimestre.

Voos cancelados

Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil, tranquilizou o mercado em conversa com jornalistas. Segundo ele, não há risco de desabastecimento de combustível nas rotas operadas pela empresa e até agora não houve movimento para cancelar voos em massa.

Contudo, ajustes pontuais já estão previstos. Em junho, a oferta será de 2% a 3% menor. Ainda não foram feitos ajustes para o terceiro e quarto trimestres. A decisão vai depender de como o preço do combustível vai evoluir nas próximas semanas.

Cadier também explicou por que os efeitos demoram a chegar às passagens. Há estoques de querosene e os contratos são fechados com prazos maiores. Além disso, não vale cancelar voos dos meses seguintes que já estejam com a maioria dos assentos vendidos.

Resultados do primeiro trimestre

Apesar do cenário adverso, a Latam apresentou números sólidos no início do ano. No primeiro trimestre, a empresa reportou lucro Ebitda ajustado de US$ 1,3 bilhão e lucro líquido de US$ 576 milhões, com margem operacional ajustada de 19,8%.

O crescimento operacional também foi expressivo. O grupo aumentou sua capacidade em 10,4% e transportou 22,9 milhões de passageiros, alta de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. Portanto, a base do negócio segue forte.

O grupo alcançou fator de ocupação de 85,3%. As afiliadas de carga transportaram mais de 250 mil toneladas, período que incluiu a temporada de flores da Colômbia e do Equador para os Estados Unidos.

Novas projeções para 2026

Diante da volatilidade, a Latam revisou suas estimativas anuais. A empresa reporta um CASK ajustado de passageiro, excluindo combustível, entre 4,50 e 4,70 centavos de dólar. O Ebitda ajustado projetado está entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

Em relação à saúde financeira, a Latam projeta índice de alavancagem líquida ajustado igual ou inferior a 1,8x e liquidez de pelo menos US$ 4,5 bilhões no ano.

Por fim, a companhia também revisou sua projeção de câmbio. A estimativa passou de R$ 5,50 para R$ 5,15 por dólar. Assim, a empresa sinaliza cautela, mas mantém confiança na solidez de suas operações.

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