A Livelo encerrou 2025 com R$ 6,5 bilhões em faturamento, crescimento de aproximadamente 10%, e agora pretende alcançar R$ 11 bilhões até 2030. Para cumprir a meta, a empresa aposta na expansão de sua rede de parceiros, no uso de inteligência artificial e em novas formas de acumular e utilizar pontos, incluindo compras pagas por Pix.
Criada em 2016 pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco, a companhia nasceu como um programa de fidelidade ligado aos cartões das duas instituições. Dez anos depois, reúne mais de 60 milhões de clientes, mais de 600 empresas parceiras e acordos com 26 instituições financeiras.
A transformação do modelo reduziu a dependência dos bancos fundadores e das viagens. Atualmente, 65% da receita já vem de negócios realizados fora do Banco do Brasil e do Bradesco. Entre os resgates, aproximadamente 60% dos pontos continuam destinados ao turismo, enquanto os outros 40% são utilizados em produtos, pagamentos, marketplaces e experiências.
Quando considerada a quantidade de operações, e não o valor movimentado, a mudança aparece de forma ainda mais clara: 85% das transações realizadas pelos consumidores não envolvem companhias aéreas.
“Deixamos de atender apenas quem queria viajar. Hoje atendemos qualquer consumidor que queira extrair mais valor do próprio consumo”, afirma André Fehlauer, CEO da Livelo.
Ecossistema passa a sustentar crescimento
A expansão da rede de parceiros foi decisiva para transformar a Livelo em uma plataforma mais ampla de benefícios. A empresa mantém acordos com varejistas, supermercados, farmácias, aplicativos de mobilidade, marketplaces e instituições financeiras.
Uber, Magazine Luiza, Casas Bahia e Drogasil estão entre as marcas conectadas ao programa. Segundo Fehlauer, empresas que representam cerca de 85% do comércio eletrônico brasileiro já mantêm algum tipo de parceria com a Livelo.
Na prática, os consumidores podem acumular pontos ao realizar compras nesses estabelecimentos e depois utilizá-los em diferentes categorias. A lógica permite que a plataforma acompanhe o cliente em situações mais frequentes do que a reserva de uma viagem.
A Livelo também ampliou de duas para 26 as instituições financeiras parceiras, movimento que ajuda a reduzir a concentração nos cartões emitidos pelos bancos controladores.
A estratégia busca aumentar a recorrência. Quanto mais categorias participam do programa, maior a possibilidade de o consumidor acumular e resgatar pontos durante o ano.
Mercado corporativo já representa 20% da receita
Outra frente relevante está na Livelo Empresas, vertical que desenvolve programas de fidelidade, recompensas e campanhas de incentivo para outras companhias.
O negócio corporativo já responde por cerca de 20% do faturamento da Livelo. Os clientes utilizam a plataforma para premiar funcionários, incentivar equipes comerciais, recompensar consumidores e aumentar a conversão de campanhas.
De acordo com a companhia, determinadas ações realizadas com varejistas alcançam taxas de conversão próximas de 30%.
A estrutura permite que empresas ofereçam pontos sem precisar criar um programa de fidelidade próprio. A Livelo fica responsável por organizar o acúmulo, os resgates e a conexão com a rede de parceiros.
Para o CEO, varejistas que ainda não utilizam a plataforma podem estar deixando de capturar vendas e informações sobre o comportamento dos consumidores.
Pontos passam a ser convertidos em dinheiro
A Livelo também aproximou os pontos do cotidiano ao permitir a conversão dos saldos em dinheiro por meio do Pix. O recurso amplia as possibilidades para clientes que não desejam trocar os pontos por passagens, produtos ou serviços.
Ao mesmo tempo, a empresa passou a oferecer acúmulo em compras pagas pelo próprio Pix. Dessa forma, a participação no programa deixa de depender exclusivamente do uso do cartão de crédito.
A mudança amplia o público potencial em um país no qual parte dos consumidores não possui cartão com programa de pontos ou prefere utilizar transferências instantâneas.
“O cliente não precisa gastar mais para ganhar pontos. Basta direcionar um consumo que já faria para um parceiro da Livelo”, diz Fehlauer.
A estratégia também reforça a percepção dos pontos como um ativo financeiro. Em vez de serem usados apenas em viagens, eles passam a funcionar como desconto, meio de pagamento ou valor transferido para a conta.
Inteligência artificial entra na personalização
A próxima fase da companhia deverá ser apoiada por investimentos em dados e inteligência artificial. Atualmente, cerca de 80% dos funcionários da Livelo utilizam ferramentas de IA diariamente, de acordo com a empresa.
A tecnologia já aparece em processos internos e deverá ganhar espaço na experiência do consumidor. Entre os projetos estão sistemas capazes de recomendar a melhor forma de usar os pontos, identificar passagens mais vantajosas e selecionar ofertas conforme o histórico de cada cliente.
A proposta é reduzir a dificuldade de comparar milhares de opções de resgate. Um consumidor interessado em viajar, por exemplo, poderá receber sugestões que considerem saldo, período, destino e disponibilidade das companhias aéreas.
Para Fehlauer, não basta aplicar inteligência artificial sobre estruturas antigas. A empresa precisa rever processos e produtos considerando que a tecnologia passará a integrar a operação desde o início.
A personalização também deverá ajudar a aumentar o uso dos pontos. Muitos clientes acumulam saldos, mas não conhecem as opções disponíveis ou não conseguem avaliar qual resgate oferece melhor retorno.
