A Sakura Consolidadora nomeou Luciano Guimarães, o Luti, como novo sócio e CEO em uma movimentação que abre uma nova etapa para a empresa de 51 anos. O executivo deixou a BeFly pouco mais de um mês antes e chega com a missão de acelerar a expansão comercial, ampliar o portfólio e levar a companhia à liderança do mercado brasileiro de consolidação aérea.
Wagner Chaves permanece como presidente, responsável pela visão estratégica, enquanto Vivi Siqueira segue como sócia e diretora financeira. A composição mantém os atuais controladores na gestão e acrescenta um executivo com mais de três décadas de experiência no relacionamento entre companhias aéreas e agências de viagens.
“A Sakura sempre foi admirada pela confiança construída com os agentes de viagens. Chego para contribuir com essa história, preservando sua essência e acelerando um novo ciclo de crescimento”, afirmou Guimarães.
Junto com o novo CEO, a empresa contratou Flávio Marques como diretor executivo de Vendas e Expansão. Os dois trabalharam juntos na Flytour Consolidadora e devem liderar a nacionalização da operação comercial.
Sakura quer ampliar vendas em todo o Brasil
Um dos primeiros movimentos será expandir o time de vendas por diferentes regiões do país. O plano inclui bases próprias, executivos em trabalho remoto e hubs responsáveis por centralizar atendimento e suporte.
A companhia pretende aumentar o número de agências atendidas e ampliar sua presença fora dos mercados onde já possui uma operação mais consolidada. Representantes comerciais que trabalham com a Sakura também deverão permanecer na estrutura.
Atualmente, a empresa movimenta cerca de R$ 2 bilhões em vendas anuais, segundo informações apresentadas pelo novo CEO. A meta é transformar a Sakura na maior consolidadora aérea do país, embora Guimarães não tenha estabelecido um prazo para alcançar a liderança.
Para o executivo, a posição no ranking deverá surgir como consequência da combinação entre atendimento, tecnologia, expansão geográfica e formação de equipes.
“Depois que mais agentes confiarem no nosso trabalho e formos os melhores em gestão de pessoas, processos e relacionamento com os clientes, o resultado da liderança virá”, afirmou.
Tecnologia deve ajudar agências a vender mais
A nova gestão também prepara investimentos em ferramentas digitais. A estratégia não será concentrada apenas em sistemas de pesquisa e emissão de passagens, recursos já disseminados no mercado.
O objetivo é desenvolver soluções capazes de ajudar as agências a conhecer melhor os clientes, personalizar ofertas e aumentar a rentabilidade. A inteligência artificial poderá ser usada para identificar preferências, sugerir serviços e apoiar o atendimento durante diferentes etapas da viagem.
Na avaliação de Guimarães, o setor já possui tecnologia suficiente para procurar voos, mas ainda precisa avançar em ferramentas que auxiliem o agente a ampliar receitas e entregar um serviço mais personalizado.
“A IA precisa ajudar o agente a atender melhor o cliente e ganhar mais dinheiro. Não apenas fazer buscas genéricas de voos”, disse.
O movimento também busca responder ao crescimento das vendas diretas feitas por companhias aéreas, hotéis e outros fornecedores. A tese da Sakura é que as agências podem preservar espaço ao oferecer assistência completa, conhecimento sobre o passageiro e suporte durante toda a jornada.
Hotelaria entra no plano de diversificação
Embora a distribuição de passagens aéreas continue como atividade central, a Sakura planeja ampliar a presença em outras categorias. A hotelaria será uma das prioridades, com investimento em uma nova ferramenta de vendas.
Seguro-viagem e mobilidade também aparecem entre as áreas que podem ganhar espaço no portfólio. A empresa, porém, não pretende abrir uma operadora de turismo nem concorrer diretamente com companhias que vendem pacotes financiados ao consumidor.
O foco permanecerá no modelo B2B, oferecendo produtos e tecnologia para que as agências atendam seus próprios clientes.
A decisão de voltar a uma operação totalmente dedicada aos agentes foi uma das razões apresentadas por Guimarães para deixar a BeFly. Na antiga empresa, ele acumulava responsabilidades em 12 áreas, incluindo negócios voltados ao consumidor final e ao segmento corporativo.
Mudança ocorre após saída de profissionais da BeFly
A chegada de Luti e Flávio ocorre em meio a uma reorganização no mercado de consolidação aérea. Mais de 70 profissionais deixaram a BeFly e a Flytour desde o início de julho, segundo levantamento do portal Panrotas.
Parte dos executivos seguiu para empresas como Sakura, Pátria e TP Air. O mercado ainda aguarda a apresentação da nova estrutura de comando da Flytour Consolidadora.
Guimarães afirmou que recebeu propostas de diferentes companhias após anunciar sua saída, mas escolheu a Sakura pela possibilidade de retornar ao B2B e participar como sócio de um projeto de expansão.
“Vivi e Wagner querem dar um salto qualitativo e quantitativo na Sakura. Tive outros convites para sociedade, mas eles me conquistaram”, afirmou.
Fundada em 1975, a Sakura começou atendendo principalmente a comunidade nipo-brasileira em viagens para o Japão. A operação foi ampliada nas décadas seguintes e passou a atender agências em diferentes regiões do país.
A profissionalização ganhou força a partir dos anos 2010, com investimentos em tecnologia, governança e ampliação do portfólio. Em 2025, quando completou 50 anos, a empresa inaugurou uma nova sede e lançou a Universidade Sakura, projeto voltado à formação de profissionais do setor.
