Manaus tem ampliado o uso de tecnologia para antecipar desastres causados por chuvas intensas. A estratégia combina monitoramento em tempo real, obras de infraestrutura e ações preventivas em áreas vulneráveis da capital amazonense.
O tema ganhou força após um temporal despejar 160 milímetros de chuva em poucas horas e gerar 114 ocorrências simultâneas na cidade. O episódio expôs os desafios urbanos de uma capital marcada por igarapés, encostas e ocupações em regiões de risco.
Atualmente, Manaus possui 444 áreas de risco mapeadas. Nessas regiões vivem mais de 20 mil pessoas expostas principalmente a alagamentos e deslizamentos.
Para responder com mais rapidez, a prefeitura opera o Centro de Cooperação da Cidade, estrutura que funciona 24 horas por dia. O sistema acompanha a capital com 159 câmeras de alta precisão e ajuda no deslocamento das equipes de emergência.
Segundo a gestão municipal, a tecnologia permite acionar socorro em cerca de 30 minutos após os chamados. Dessa forma, o município tenta reduzir danos humanos e materiais durante temporais severos.
Obras e alertas buscam evitar novos impactos
Além da resposta emergencial, Manaus também investe em prevenção. Em 2025, a cidade implantou e recuperou 58 mil metros de drenagem profunda e superficial para melhorar o escoamento da água em pontos críticos.
Outro foco está na limpeza dos cursos d’água. A prefeitura instalou 14 ecobarreiras para reter resíduos sólidos antes que avancem pelos rios urbanos. Segundo dados oficiais, as estruturas seguram cerca de 300 toneladas de lixo por mês.
Nas áreas de encosta, o município concluiu 33 grandes obras de contenção e ampliou o uso de geomantas, material utilizado para estabilizar terrenos inclinados. A medida busca reduzir risco de deslizamentos em bairros periféricos e corredores viários.
A próxima etapa prevê instalar uma rede própria de estações meteorológicas em todas as zonas da cidade. Os equipamentos vão medir chuva e vento em tempo real e emitir alertas antecipados para evacuação de moradores e fechamento de vias.
Por fim, o caso de Manaus reflete um desafio nacional. Segundo estudo citado pela reportagem, eventos climáticos extremos retiram em média R$ 110 bilhões por ano do Produto Interno Bruto brasileiro. Assim, prevenção e tecnologia tendem a ganhar peso crescente nas políticas públicas urbanas.
