A combinação de tensões geopolíticas, volatilidade cambial e disputas por insumos estratégicos tem ampliado a pressão sobre cadeias produtivas em todo o mundo. No Brasil, esse cenário expõe uma fragilidade estrutural do agronegócio: a elevada dependência de fertilizantes importados. Para a Massari Fértil e a Morro Verde, empresas especializadas em soluções para a agricultura tropical, o momento exige uma resposta estratégica para reduzir riscos e fortalecer a autonomia do setor.
Atualmente, cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Essa dependência concentra o abastecimento em poucos mercados, como Rússia, Canadá, China e Marrocos, o que aumenta a exposição a restrições comerciais, sanções econômicas e oscilações logísticas. O impacto se reflete diretamente nos custos de produção, na previsibilidade das safras e na competitividade do produtor brasileiro.
Os fertilizantes são insumos críticos para culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar, responsáveis por parcela significativa do PIB do agronegócio. Sua influência começa nas etapas iniciais do plantio e se estende até a produtividade final, o que torna o setor particularmente sensível a qualquer ruptura no fornecimento. Episódios recentes, como a guerra no Leste Europeu e as disrupções logísticas pós-pandemia, evidenciaram a vulnerabilidade desse modelo.
De acordo com Sérgio Saurin, CEO da Massari, o contexto atual impõe uma revisão estrutural na estratégia do setor. “O agro brasileiro se consolidou como uma potência global, mas construiu parte desse crescimento sobre uma base dependente de insumos externos. O cenário recente mostra que essa dependência precisa ser reduzida com urgência, por meio de uma política mais consistente de produção nacional”, afirma.
Além da dependência externa, fatores como o aumento do custo do frete marítimo, a concentração da oferta global e as variações cambiais ampliam a complexidade do planejamento agrícola. Em momentos de crise, esses elementos podem comprometer o acesso a insumos essenciais, afetar margens e gerar instabilidade em toda a cadeia produtiva.
Nesse contexto, o Brasil apresenta vantagens competitivas relevantes. O país possui reservas expressivas de minerais estratégicos, como fosfato e potássio, além de conhecimento técnico consolidado em agricultura tropical. Estimativas da Embrapa indicam que o território brasileiro reúne condições para expandir significativamente a produção de insumos, desde que haja avanço em infraestrutura, segurança jurídica e incentivos a investimentos.
Para Saurin, o principal desafio está na transformação desse potencial em capacidade produtiva. “O Brasil já conhece suas reservas e entende a demanda do setor. O que falta é acelerar a execução, com um ambiente regulatório mais previsível, estímulo ao investimento privado e integração entre os diferentes elos da cadeia”, destaca.
O fortalecimento da produção nacional também se alinha a agendas estratégicas, como inovação e sustentabilidade. O desenvolvimento de fertilizantes adaptados às características dos solos tropicais pode elevar a eficiência agronômica, reduzir perdas e contribuir para práticas agrícolas mais sustentáveis, além de diminuir a dependência de soluções padronizadas importadas.
Embora a substituição total das importações não seja viável no curto prazo, o avanço de iniciativas voltadas à produção local e à diversificação de fornecedores sinaliza uma mudança importante de direção. Para a Massari Fértil e a Morro Verde, acelerar esse movimento é fundamental para aumentar a resiliência do agronegócio brasileiro diante de um cenário global cada vez mais incerto.
“O Brasil reúne escala, conhecimento técnico e recursos naturais para construir uma cadeia de fertilizantes mais robusta e menos dependente do exterior. Avançar nessa agenda é essencial para garantir segurança de abastecimento, estabilidade de custos e competitividade ao agro no longo prazo”, conclui o executivo.
