A Medipreço captou R$ 2,5 milhões em uma rodada liderada pela BDev Ventures, fundo de venture capital sediado no Vale do Silício. A healthtech usará os recursos para ampliar sua equipe comercial e desenvolver novas funcionalidades baseadas em inteligência artificial.
Fundada em 2020, a startup oferece planos de medicamentos como benefício corporativo. As empresas disponibilizam um saldo para que os funcionários comprem remédios pelo aplicativo da plataforma ou em farmácias físicas.
A companhia alcançou o ponto de equilíbrio financeiro no fim de 2023 e afirma ter crescido dez vezes nos últimos 24 meses. A meta é triplicar de tamanho anualmente e chegar a R$ 150 milhões em faturamento até 2030.
“Encontramos nosso primeiro mercado endereçável nas grandes empresas, e isso tem sustentado um crescimento consistente da operação”, afirma Bruno Oliveira, CEO e fundador da Medipreço.
Aporte financiará inteligência artificial e expansão comercial
A rodada não fazia parte de um processo formal de captação. Segundo Oliveira, a BDev Ventures procurou a empresa e apresentou uma proposta considerada estratégica para o crescimento da operação.
“A companhia já estava em breakeven e não estávamos com uma rodada aberta. O fundo se aproximou, gostou do negócio e fez uma proposta de investimento que entendemos ser uma boa oportunidade”, diz.
Essa é a quarta captação da Medipreço. Antes do investimento atual, a startup participou de um programa de aceleração e realizou rodadas anjo e pré-seed.
A entrada de um fundo americano também deve aproximar a companhia de um mercado no qual os planos de medicamentos estão mais desenvolvidos.
“Ter um investidor que já acompanhou esse ecossistema funcionando traz expertise, abre portas para novos investidores qualificados e acelera o crescimento da companhia”, afirma Oliveira.
Parte dos recursos será destinada à contratação de profissionais para a área comercial, com foco na conquista de grandes empresas. A Medipreço distribui sua solução por meio de corretoras de seguros, companhias de benefícios e empresas de vale-refeição.
IA deverá identificar padrões de consumo e riscos de saúde
A Medipreço já utiliza inteligência artificial para ler e validar receitas médicas enviadas pelos usuários. Com o aporte, a empresa pretende desenvolver agentes capazes de identificar padrões de consumo de medicamentos, prever riscos de adoecimento e automatizar etapas da jornada de compra.
O planejamento inclui permitir que o atendimento seja realizado pelo WhatsApp no futuro.
“Temos informações de comportamento de consumo que nos ajudam a entender se um usuário pode desenvolver uma doença. A ideia é ajudar todo o ecossistema, sempre dentro das regras da LGPD e da política de privacidade, a evitar o adoecimento com o uso de inteligência artificial”, explica o fundador.
Plataforma atende 500 mil pessoas
A Medipreço atende atualmente cerca de 500 mil pessoas e possui mais de 100 clientes, entre grandes empresas e operadoras de planos de saúde.
Oliveira criou a startup após trabalhar por mais de uma década com tecnologia para o setor de saúde, incluindo quatro anos em hospitais universitários federais. Durante esse período, identificou dificuldades recorrentes no acesso dos pacientes aos tratamentos prescritos.
“Temos um problema clássico de focar na gestão das pessoas doentes e pouco na prevenção ou em permitir que as pessoas tenham acesso ao tratamento. Se elas conseguem se tratar, evitam o agravamento da doença”, afirma.
A companhia prepara sua estrutura para uma futura rodada Série A, ainda sem prazo definido. A estratégia é transformar o benefício de medicamentos em uma categoria mais presente nas empresas, seguindo uma trajetória semelhante à dos planos odontológicos e de academias.
“Esse movimento é inevitável porque gera economia, melhora a saúde das pessoas e reduz a pressão sobre o sistema de saúde”, afirma Gianluca Xande, diretor de Operações da Medipreço.









