O mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentou um desempenho inesperadamente negativo em fevereiro, com o fechamento de 92 mil postos de trabalho. O resultado, divulgado nesta sexta-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS), frustrou as expectativas de analistas consultados pela Reuters, que previam a abertura de 59 mil vagas. Com o saldo negativo, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante os 4,3% registrados em janeiro.
De acordo com o relatório oficial, o recuo no nível de emprego foi influenciado por uma combinação de fatores sazonais e pontuais. Entre eles, destacam-se o inverno rigoroso e a greve de 31 mil profissionais de saúde da rede Kaiser Permanente na Califórnia e no Havaí — movimento que já foi encerrado. Além disso, os dados de janeiro, que inicialmente mostravam força, foram revisados para baixo, de 130 mil para 126 mil novas vagas.
Economistas observam que o salto de janeiro foi inflado por atualizações estatísticas no modelo de cálculo de abertura e fechamento de empresas, o que torna a base de comparação de fevereiro mais rígida.
O cenário macroeconômico também reflete o impacto de medidas políticas e tensões geopolíticas. O mercado de trabalho tenta se estabilizar após um 2025 marcado pela incerteza em torno das tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump. Embora a Suprema Corte tenha derrubado as tarifas iniciais, o governo respondeu com uma tarifa global de 10%, com previsão de aumento para 15%. Somado a isso, a redução na oferta de mão de obra, decorrente de políticas imigratórias mais restritivas, tem contribuído para a desaceleração das contratações.
Apesar da alta no desemprego, especialistas avaliam que o índice de 4,4% ainda é baixo em termos históricos, fixando o nível de alerta em 4,5%. No entanto, a conjuntura internacional adiciona pressão ao Federal Reserve (Fed). O aumento de mais de 20 centavos de dólar por galão de gasolina, provocado pela escalada do conflito entre Israel, EUA e Irã no Oriente Médio, renova os temores inflacionários.
Diante desse quadro de instabilidade e pressão nos custos de energia, a expectativa é de que o Fed mantenha uma postura cautelosa. Para a próxima reunião de política monetária, agendada para os dias 17 e 18 de março, a aposta majoritária do mercado é de manutenção da taxa de juros no patamar atual, entre 3,50% e 3,75%, adiando qualquer ciclo de cortes até que haja maior clareza sobre a inflação e a resiliência da atividade econômica.
