Mercado livre de energia pode reduzir 9,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano

O avanço das renováveis expõe um novo desafio: alinhar oferta variável com consumo em tempo real (Jacobs Stock Photography Ltd/Getty Images)

A ampliação do mercado livre de energia no Brasil pode se tornar um fator decisivo na redução das emissões de gases de efeito estufa. Um estudo recente aponta que a medida tem potencial para evitar a liberação de até 9,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano no país.

Esse volume de emissões evitadas equivale, por exemplo, à retirada de milhões de veículos movidos a combustíveis fósseis das ruas ou ao impacto ambiental positivo gerado por dezenas de milhões de árvores ao longo de anos.

Funcionamento e vantagens do modelo

O modelo de mercado livre permite que consumidores escolham seus fornecedores de energia, negociando diretamente com geradores e comercializadoras. Essa flexibilidade favorece a contratação de fontes renováveis e, ao mesmo tempo, pode gerar economia nos custos com eletricidade.

Atualmente, esse sistema ainda é mais comum entre grandes empresas. No entanto, a previsão é de que, até 2028, consumidores residenciais e pequenos negócios também possam aderir ao modelo, ampliando significativamente seu alcance.

Na prática, essa abertura deve provocar uma mudança no comportamento de consumo energético no país, estimulando escolhas mais eficientes e sustentáveis. Além disso, a maior adesão tende a aumentar a demanda por energia limpa, fortalecendo a transição energética.

Impactos e crescimento no Brasil

Outro impacto relevante está no melhor aproveitamento da energia renovável já produzida. Em momentos de excesso de geração — especialmente de fontes solar e eólica — parte da eletricidade acaba sendo desperdiçada por falta de consumo imediato.

Com mais consumidores no mercado livre, esse excedente pode ser absorvido com maior eficiência, reduzindo perdas e melhorando o equilíbrio entre oferta e demanda.

O avanço do modelo já pode ser observado. Nos últimos anos, houve crescimento expressivo no número de empresas que migraram para esse sistema, especialmente entre pequenos e médios negócios, que passaram a buscar redução de custos e menor impacto ambiental.

Além dos benefícios econômicos, a adesão ao mercado livre de energia contribui diretamente para estratégias de sustentabilidade, ao permitir o uso de fontes renováveis e a diminuição da pegada de carbono das organizações.

Com a expansão prevista e o aumento da participação de novos consumidores, o mercado livre de energia tende a ganhar ainda mais relevância como ferramenta para descarbonização e eficiência energética no Brasil.

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